October 31, 2007 por Willian

Nestes últimos dias, escrevi sobre muita coisa.
Citei os mesmos exemplos várias vezes.
Algumas pessoas me perguntaram se tenho algo contra Bruna Surfistinha. Não tenho. Acredito que foi uma oportunidade que surgiu e que, em minha opinião, foi muito bem aproveitada.
A vida é assim, te dá algumas chances. Você tem que aproveitar ou vai ficar chorando as pitangas depois.
Mas hoje, acho importante deixar clara uma posição que tenho.
Sou a favor da leitura. É isso. Ponto. Just like that. Tutto Finito.
Sei que é algo simples de digerir, mas vou me alongar um pouco.
Leitura de quê? Literatura.
E o que é literatura?
Do Houaiss: conjunto das obras científicas, filosóficas etc., sobre um determinado assunto, matéria ou questão; bibliografia
Ou seja, TUDO é literatura. Tudo é passível de ser lido. Desde a bula de remédio até aquela revista de fofoca.
Claro que existem gostos diferentes, logo, literaturas diferentes para atender a esses “gostos”. Legal, leia o que você gosta. Nada mais justo.
Tem gente que recrimina o Paulo Coelho. Dizem que ele é escapista, cheio de marchant, só escreve auto-ajuda, comprou a cadeira na ABL, fez pacto com o Cão, vende balinhas num “farol” de Copacabana e na madrugada carioca é conhecido como Paulete Boca-de-Fogo. Putz! Oh povo invejoso, caraca!
Deixa o cara! Ele é sucesso absoluto no Brasil e no Exterior. Vende pacas como autor.
A vida dele é a vida DELE.
Não gosta? Não leia! Expresse sua opinião! Xingue! Faça lobby contra (eu sei que você já faz!), mas SE a pessoa quiser ler, bah, aquiete-se! Deixe estar! Lembra do “cada um, cada um”? Não se pode ganhar todas, acostume-se…
Você ia gostar que lhe recriminassem por ler Nietzsche e lhe “evangelizassem” para ler Witch? E se for o contrário? Você lá, lendo sua Marie Claire/Quatro Rodas e vem um infeliz dizendo que você tem que ler Aristóteles, o que você acha?
Tá vendo? É chato pra caramba quando vem um João-sem-noção e começa a te encher o saco. Daí que o cara tá certo em querer te passar uma coisa que ele gostou, mas chega uma hora que cansa, né?
Nessa hora, com a delicadeza de um tecido de seda, ou com a sutileza de um rinoceronte, é hora de dizer pra pessoa que “já deu”. Chega de encher a paciência.
Agora, e se você for o João-sem-noção? E se você for o chato que nunca fica quieto?
Pense nisso.
Como diz um colega meu, em um país como o Brasil, só de estar lendo já é muita coisa. Quando a leitura for um hábito mais comum, aí muda-se o foco da discussão.
Um muro se constrói pela base.
October 30, 2007 por Willian
Na total falta de assunto do dia, escolhi umas coisas estranhas.
Primeiro, a atriz que arruma encrenca com todo mundo teve um dos seus animais mortos e o marido com um (possível) dedo a menos. Coisa mais triste. Bleh.
Outro, o Brasil vai ser sede da copa 2014. Wow, show hein? Bah! Fora o lobby, pressão e falta absoluta de outros candidatos, acho que foi gol da CBF. O ponto legal foi usar globais para fazer o lobby. Criancinhas jogando futebol na terra. Wooooo hooo! Super inteligente, não acham?
Mais uma coisa, foi a cidade australiana que apareceu depois de 50 anos. Estava submersa. Tinha virado um lago na época, para ajudar no plano de energia e blá, blá, blá… Pensa se vão achar uns corpos que ninguém encontrava…
E o mais importante do dia, as patricinhas perderam o seu mega programa… que coisa chata, né não?!… só porque pediram um pequenino aumento… ora, o que são míseros R$ 100 mil, não é? Afinal, todo mundo precisa de uma Gucci ou Dior… Povo feio esse da Record…
Dia cheio de coisas, hein?
October 29, 2007 por Willian
Acabei de ler o livro “Qualidade de vida” do Wanderley Ribeiro Pires, que se auto-intitula doutor. Não sei se ele fez doutorado mesmo ou se é por causa da faculdade de medicina que cursou. Sei que é professor universitário e consultor organizacional (sic!). Sei disso porque o livro explica. Não tem muita informação na internet.
Mas esse não é o ponto; o ponto é que o livro que li é de 2001 e, à época, estava em sua quarta edição, com mais de 45.000 (quarenta cinco mil, isso mesmo) exemplares vendidos. Muita coisa, se parar para analisar que seis anos atrás o mercado de livros era ainda mais retraído do que é hoje.
Meu questionamento todo se resume ao seguinte: O que é necessário para ser publicado no Brasil?
Muitas perguntas podem vir depois, na mesma onda da primeira:
- Quem temos que conhecer para publicar um livro?
- É preciso ser famoso? Bem sucedido em seu campo de atuação?
- Temos que ter “clientela” para isso?
- Existem estudos que indicam se o livro é bom, ou é a vontade de um editor super-poderoso que define tudo?
- Quão bom um livro tem que ser para que venda bem?
Entendo que não é a história dos patinhos brancos de qualquer Mané que deve ser publicada. Afinal, vamos ser mercantilistas, é preciso vender. E o ganha pão das editoras? Como ficam? Realmente é importante que o produto seja bom. Aliás, bom não, é importante que venda.
Mas as perguntas também são importantes, afinal, são muitas as dúvidas que surgem.
Mas por quê?
Porque, apenas a título de exemplificação, o livro que li é horrível. Não somente em sua temática; mas é mal-escrito, mal elaborado, com uns desenhos no interior que não estimulam nada e – para piorar – ele tenta, com terrível insucesso, mesclar a parte da medicina que precisa se preocupar com o paciente, com a visão mística holística oriental. Ainda assim, foi publicado e vendeu mais de 45 mil exemplares (até 2001).
Mas poxa! O cara é doutor! Vai ver é isso…
E o fenômeno Bruna Surfistinha? Alguém se lembra do “Doce veneno do escorpião”? O que aconteceu? Uma garota de programa, que saiu de uma família de classe média, resolveu montar um blog (não como este que você está lendo, um blog tipo “diário” mesmo – endereço aqui) e, a partir daí, um jornalista resolveu contar a história da moça.
Resultado: mais de 250.000 cópias vendidas. Sucesso absoluto, coisa para até Paulo Coelho ficar de queixo caído.
Mas e ai? O mérito foi dela, em suas noites [e dias] de sexo com seus clientes ou do jornalista que conhecia quem precisava conhecer [e possuía uma editora]?
Não discuto o teor da obra de Raquel Pacheco, tem gente que gosta. Entendo a máxima do mercado: se há demanda, há de existir oferta. O caso dela foi excepcional, uma sacada muito inteligente do cara que a publicou.
Não só inteligente, mas com um timing muito bem feito; já lançaram outros livros, quadrinhos e agora está em casting para o filme (com R$ 4 milhões liberados pelo governo). Isso é marketing bem aproveitado.
Diariamente vemos mais e mais notícias de pessoas que conseguem publicar seus livros, não importando a qualidade. Isso é positivo, mas e os bons livros? O que define um livro como bom? Uns conseguem simplesmente achar o momento, enviar os originais e Cabum!!! Será publicado! Outros correm para o lado que conseguem.
Volto às perguntas anteriores. Aliás, volto à pergunta mais importante:
O que é necessário para ser publicado no Brasil?
October 26, 2007 por Willian
O Ser Humano é babaca.
Essencialmente idiota.
Não escrevo isso como retórica ou em contexto poético. Não escrevo como metáfora ou mesmo como um artifício de linguagem.
É babaca no sentido total. Palerma. Imbecil. Sentido integral, tipo pão integral. Do jeito que é e pronto.
Um burro (com todo respeito ao ruminante).
Uns se orquestram para continuar sua brincadeira de Deus. Fazendo e acontecendo, enquanto os manés pagam por suas brincadeiras de mísseis. Sabe, não sou fã dos políticos americanos de uma forma geral. Acho que poucos merecem menção honrosa.
Gosto de Churchill, mas é Inglês. Britânico, nascido em Woodstock, Oxfordshire (pensa?! Eita nome que me dá orgulho!).
Gosto de Blake, mas, OPS! também é inglês e nem foi político.
Caramba, preciso de referenciais!!! Washington? Lincoln? Roosevelt? Não… Nenhum deles.
Onde está a babaquice nisso tudo? Em aceitar que um mané continue brincando com as vidas alheias.
Sabe, muita gente pensa que porque isso é lá do outro lado da linha do Equador não tem nada a ver. Tudo bem.
E o Renan? Pediu licença? Pediu pra ir ao banheiro e saiu?
Ora, a quantas teve de chegar pra isso acontecer?
Babacas, isso somos todos.
Aceitar que um imbecil que nem soube roubar permaneça tanto tempo sentado no trono.
Sei que é crítica comum, chovo no molhado. Mas porra! É preciso isso tudo pra mudar meio grama de nada?
Posso até estar verborrágico demais, mas é foda saber que não adianta nada querer um Brasil melhor.
O Brasil vai continuar sendo o país do futuro, por mais sessenta anos.
Às favas com tudo isso.
October 25, 2007 por Willian

Personagens são a alma do texto.
Sem eles, não temos a identificação, não temos a acolhida.
Por isso, um personagem precisa ser bem desenvolvido.
Em seu desenvolvimento, um personagem é mais que um nome. É dor, alegria, raiva, ódio e amor. Um misto de emoções e, ainda assim, é mais que isso.
É tacanha, mesquinho, nobre, puro, doce. Tem sede, fome, ânsia, nojo e decepções.
Um personagem é um espectro de um ser humano, diferenciado deste por não existir, mas tão complexo quanto.
Para que um personagem seja marcante, ele precisa de personalidade, emoções, ambições, desejos, sofrimentos e fracassos. Isso traz o leitor para seu lado.
A identificação com o personagem faz com que a sua história seja mais crível. Mais verossímil. Mesmo que seja sobre seres que não existem.
O laço é criado quando o leitor identifica uma característica no personagem que faz esse elo possível. Pode ser a indignação em uma situação, a empatia perante o sofrimento, enfim, qualquer situação.
Para que isso aconteça, é preciso que seu personagem seja humano. Não fisiológica ou ideologicamente. Sua alma, essa sim, deve expressar os sentimentos de forma inequívoca.
Somente nos identificamos com aquilo que nos toca a alma. Seus personagens dependem disso para serem lembrados. Quando for desenvolver seus personagens, vejam se eles parecem humanos ou somente uma caixa de sapatos com um nome.