A situação piora a cada dia. Todos estão perdendo o emprego, até o Português.

Não falo do cidadão que nasceu em Portugal, esse continua sorrindo com os ventos do Euro a ajudar sua terra. Falo da Língua sofrida que utilizamos tão demeritamente.

Não que isso seja uma novidade, já tem bastante tempo que as reclamações existem. Em qualquer lugar que você procure, vai encontrar muita gente que comenta sobre o assunto. Enfim, é “chover no molhado”.

Mas, apesar das reclamações, a situação não parece mudar. É tal o caso que até sanções foram prometidas. Não que isso tenha surtido algum efeito duradouro, é claro.

Como eu já disse, o Ser Humano precisa de regras. Esse conceito nem é meu. Eu ouvi e tenho que concordar; ele faz sentido.

Mas agora veio, de fato, o que mudará a história da utilização lingüística neste país!

Como é de conhecimento público, a entidade Governo é uma máquina inchada e ineficiente. Quem está dentro, não quer sair.

 
 

Ainda assim, aconteceu o inédito. Através de um decreto, o Português foi DEMITIDO. Não em sua totalidade, obviamente. Só o gerúndio. Na realidade, a demissão foi do gerundismo.

Quem não conhece o sr. Gerúndio, pode até pensar mal dele. Não pense assim, ele é muito importante e  vamos estar explicando e depois vamos estar exemplificando, assim fica cristalino quem é o digníssimo e quem é o seu primo esquisito, o sr. Gerundismo.

Utilizado em larga escala, o gerundismo serve para postergar algum assunto, dando uma resposta evasiva. A muito conhecida “saída estratégica”.

Quem não conhece a famosa frase de atendente de telemarketing “Vamos estar verificando”? Então, gerundismo é isso! Esse ‘ndo’ que traz o sentido de tempo contínuo e, ao invés de um compromisso – Vou verificar! – você tem uma ação que não sabe quando terminará.

Além dos serviços de telemarketing, o gerundismo também é muito utilizado nas entidades governamentais.

O que estranha é que os cabides de emprego continuam existindo – esse gerúndio pode -  e não existe preocupação real quanto a isso. Se o Português perde o emprego, onde ficará?

Não que a atitude do decreto seja ruim. Mas, como comentou um colega, não seria melhor uma campanha?

Não sou advogado da utilização exímia do Português, usando toda sua extensão e atributos. Acho isso complexo e dificultoso. Eu, que não sou melhor do que ninguém, vivo errando quando escrevo. Não que isso seja desculpa para um mea culpa.

Escrever corretamente é importante, ainda mais em órgãos oficiais.

Como afirmou o meu colega: A idéia foi boa, a forma como foi colocada é que foi equivocada.

Só não perderemos as METÁFORAS por que o Presidente precisa delas para se comunicar. Mas se continuar assim, daqui alguns dias também, o SARCASMO e a IRONIA perderão seus empregos. Mas não há motivos para preocupação, o Senado as contrata novamente, afinal, são muito úteis lá.

A bem da eficiência estatal, os líderes deveriam se preocupar mais com a forma como estão governando, buscando um nível melhor na prestação de serviços à população; e não ficar criando decretos absolutamente sem sentido. Agora, se o caso é ficar demitindo figuras de linguagem, quem será a próxima?