Oct 29 2007

Ser publicado

Escrito por Willian às 10:34 am em Pergaminhos

Acabei de ler o livro “Qualidade de vida” do Wanderley Ribeiro Pires, que se auto-intitula doutor. Não sei se ele fez doutorado mesmo ou se é por causa da faculdade de medicina que cursou. Sei que é professor universitário e consultor organizacional (sic!). Sei disso porque o livro explica. Não tem muita informação na internet.

Mas esse não é o ponto; o ponto é que o livro que li é de 2001 e, à época, estava em sua quarta edição, com mais de 45.000 (quarenta cinco mil, isso mesmo) exemplares vendidos. Muita coisa, se parar para analisar que seis anos atrás o mercado de livros era ainda mais retraído do que é hoje.

Meu questionamento todo se resume ao seguinte: O que é necessário para ser publicado no Brasil?

Muitas perguntas podem vir depois, na mesma onda da primeira:

  • Quem temos que conhecer para publicar um livro?
  • É preciso ser famoso? Bem sucedido em seu campo de atuação?
  • Temos que ter “clientela” para isso?
  • Existem estudos que indicam se o livro é bom, ou é a vontade de um editor super-poderoso que define tudo?
  • Quão bom um livro tem que ser para que venda bem?

Entendo que não é a história dos patinhos brancos de qualquer Mané que deve ser publicada. Afinal, vamos ser mercantilistas, é preciso vender. E o ganha pão das editoras? Como ficam? Realmente é importante que o produto seja bom. Aliás, bom não, é importante que venda.

Mas as perguntas também são importantes, afinal, são muitas as dúvidas que surgem.

Mas por quê?

Porque, apenas a título de exemplificação, o livro que li é horrível. Não somente em sua temática; mas é mal-escrito, mal elaborado, com uns desenhos no interior que não estimulam nada e – para piorar – ele tenta, com terrível insucesso, mesclar a parte da medicina que precisa se preocupar com o paciente, com a visão mística holística oriental. Ainda assim, foi publicado e vendeu mais de 45 mil exemplares (até 2001).

Mas poxa! O cara é doutor! Vai ver é isso…

E o fenômeno Bruna Surfistinha? Alguém se lembra do “Doce veneno do escorpião”? O que aconteceu? Uma garota de programa, que saiu de uma família de classe média, resolveu montar um blog (não como este que você está lendo, um blog tipo “diário” mesmo – endereço aqui) e, a partir daí, um jornalista resolveu contar a história da moça.

Resultado: mais de 250.000 cópias vendidas. Sucesso absoluto, coisa para até Paulo Coelho ficar de queixo caído.

Mas e ai? O mérito foi dela, em suas noites [e dias] de sexo com seus clientes ou do jornalista que conhecia quem precisava conhecer [e possuía uma editora]?

Não discuto o teor da obra de Raquel Pacheco, tem gente que gosta. Entendo a máxima do mercado: se há demanda, há de existir oferta. O caso dela foi excepcional, uma sacada muito inteligente do cara que a publicou.

Não só inteligente, mas com um timing muito bem feito; já lançaram outros livros, quadrinhos e agora está em casting para o filme (com R$ 4 milhões liberados pelo governo). Isso é marketing bem aproveitado.

Diariamente vemos mais e mais notícias de pessoas que conseguem publicar seus livros, não importando a qualidade. Isso é positivo, mas e os bons livros? O que define um livro como bom? Uns conseguem simplesmente achar o momento, enviar os originais e Cabum!!! Será publicado! Outros correm para o lado que conseguem.

Volto às perguntas anteriores. Aliás, volto à pergunta mais importante:

O que é necessário para ser publicado no Brasil?

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