Nov 29 2007
O que é Felicidade? - Filosofando
Conceitualmente, é estado de uma consciência plenamente satisfeita; satisfação, contentamento, bem-estar; boa fortuna; sorte.
Ora, se é um estado, não pode ser constante, certo?
A felicidade vem em momentos e passa, como se fosse um gráfico. Se você fica feliz o tempo todo, seu cérebro se acostuma e você não saberá mais o que é felicidade. Seu parâmetro sobe.
Logo, para ser feliz é necessário também ser triste. Acompanharam?
Acontece que tanto a felicidade quanto a tristeza são supervalorizadas. Estar feliz é o supra-sumo do desejo coletivo, enquanto estar triste é como perecer no inferno.
Conforme li, “Para Sócrates o "conhece-te a ti mesmo" é a chave para a conquista da felicidade. Para Platão a noção de felicidade é relativa à situação do homem no mundo, e aos deveres que aqui lhe cabem. Para Aristóteles a felicidade é mais acessível ao sábio que mais facilmente basta a si mesmo, mas é aquilo que, na realidade, devem tender todos os homens da cidade.”.
É clara a dependência humana da satisfação, seja ela imediata ou futura. Veja os casos dos usuários de drogas, por exemplo. Buscam sua satisfação. Assim, a felicidade se resume a um estado momentâneo que é resultado de busca intensa e incessante, quer interna ou não. Trata-se, portanto, de uma cruzada, um graal.
Nesta feita, essa busca se transforma no mote da existência e, sua não conclusão, se torna a causa de toda sorte de males, visíveis ou não. Digo isso pelo seguinte, já viu alguém triste que fosse grata por tudo? Não parece engraçado que as pessoas felizes agradeçam e as tristes reclamam? Na realidade, não parece e não é.
A tristeza é a base da maioria dos problemas psicológicos, incluindo – mas não se limitando – a depressão.
É um sentimento natural, reclamar do que não agrada e “agradecer” pelo que está indo bem. São as curvas de momento da existência. O que realmente diferencia, é quando essa reclamação se torna mais intensa – mesmo que não seja propriamente verbalizada.
Logo, independente do pensamento socrático, platônico ou aristotélico, a felicidade, embora possível e fonte de busca incansável, não pode ser encarada como realização final da existência, ou seja, a última azeitona da empada, pois, se for assim, não encontrá-la significa ficar com fome. E fome é algo ruim.
Quando a felicidade é pautada na existência de outra pessoa então, aí sim, fica mais complexo. Colocar seus sonhos/realizações/desejos nos ombros de outro ser, não só castiga quem recebe essa incumbência, como escraviza quem faz isso. A busca pela felicidade, embora possa ser feita em conjunto, trás uma realização pessoal. Se é pra ser feliz, vai ter que ser por conta própria. Senão, não vai rolar.
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