Dec 31 2007
Retrospectiva 2007
Perspectivas, desejos, sonhos. O blá, blá, blá normal. O esperado.
Era um emprego como outro qualquer, um cara trabalhando e sendo pago. Resolvendo problemas e reclamando. Naturalmente humano. Normalidade absoluta.
As coisas passam. As situações vão seguindo o curso natural da vida.
Comprei, vendi. Tentei vender, venderei. Comprarei? Já comprei! Meu reflexo é a minha sombra. O desespero é apenas superficial. O comodismo é o que acrescenta.
No decorrer da via crucis anual eu perdi amigos. Perdi colegas. Ganhei outros colegas. Talvez tenha até ganhado amigos, quem sabe, não é?
Mas se eu perdi, então não eram amigos, eram? Eu não sei. - “Amigos de verdade são poucos…” - E para mim é impressionante o tanto de coisas que eu me vejo sem saber. Algumas vezes me pergunto se eu sei alguma coisa. Quisera eu que fosse humildade, é só dúvida mesmo. Sei que alguns amigos permaneceram. Sou grato por isso.
E as pessoas que se aproximam para aproveitar a situação? Aquelas que te procuram quando precisam e não se lembram de você até precisarem novamente? Esse ano teve demais! Sou mais um no número crescente de pessoas que passam por essa situação. Todos querem alguma coisa.
Essencialmente, eu creio, o Ser Humano é egoísta. Não seria o caso de deixar isso de lado então? De ignorar um pouco a forma tosca e enfadonha como as pessoas tentam tirar proveito e acreditar na miragem (criada por nós mesmos) de que algumas pessoas ainda são legais? Mas o que é a amizade senão auxiliar os outros quando podemos, e ter o payback se necessário? Se é assim, não passa de comércio. Tem que ser mais do que isso.
“Para o monte, onde muito é tirado e nada é acrescentado, futuro não existirá.” – Eu fazendo provérbios novamente. Ou reinventando. Reinventar é fascinante.
Acabei mudando de emprego. Algo diferente, meio igual, mas diferente. Algo almejado, mas não esperado. Uma benção sem dúvida, mas qual o tamanho dela? Tem uma história que fala de benção e maldição. É grande e não convêm contá-la agora. Mas foi uma benção, isso que importa.
Vi a mesma história várias vezes. Reinventada. Todas iguais e diferentes ao mesmo tempo. Eu até escrevi algumas. Isso foi bom. Escrever. Um exercício que deveria ter começado muito tempo atrás. Até a língua portuguesa mudou esse ano, uau! Muita coisa mudou. Sempre muda, não é?
Tive a honra de conhecer várias personas esse ano. Algumas, à primeira vista, pareciam conhecidas – aprendi mais sobre elas. Descobri que não as conhecia tanto assim. Dante, Harry, Sandman, uma bruxa que era mais sábia do que percebia, Alanna the Lioness e mais outras formas de mito - entre elas, uma menina adorável. Conheci na leitura, claro.
Percebia a alma mudando, sendo burilada, estudada, criada. Fascinante, se é que ouso classificar o processo todo de alguma forma.
Conheci pessoas que tinham os mesmos interesses, enquanto outras tinham interesses absolutamente diferentes. Por incrível que pareça, foi tão divertido ver que alguns, nem interesses tinham. Viviam pelo amanhã, lembrando do ontem. Esqueciam completamente do hoje. Do agora. Sonhando. Aliás, sonhando não. Fantasiando.
Fantasiei também. Várias vezes. Tive meus sonhos de menino grande, sorri enquanto minhas lágrimas escorriam. Minha carne jorrou sangue, enquanto fechei os olhos. Mas estava vendo o mundo de forma diferente, isso foi algo que nunca pensei seriamente que fosse acontecer.
Vi que alguns hobbies são divertidos, mas demoram. Outros são muito legais, mas são caros. Aprendi algumas coisas que achei interessantíssimas. Aprendendo sempre. Isso não é fenomenal?
Ah! Mas também houve uma boa dose daqueles momentos desagradáveis. Ah, se houve! Senti dores que não sabia existirem. Vi cores escuras em locais onde o sol deveria brilhar. Pensando bem, não vi cor nenhuma. Era como quando os olhos se fecham e não se abrem mais. Esperei, em vão, pela brisa da manhã. Uma espera demorada. Choveu, quase nevou. Fez frio dentro de mim, quando lá fora era o calor que consumia a humanidade. Esperei demais de quem não tinha nada a oferecer. Não ofereci nada a quem esperou demais de mim. Não foi assim com você também?
Foi um ano alegremente triste. Ou entristecedoramente alegre. Sei lá. Sei que passou e o outro já está batendo na porta da frente.
Um ano com muitas vitórias e muitas derrotas. Um ano como outro qualquer, alguém arriscaria dizer. Não se engane, nenhum ano é igual.
Meio cheio ou meio vazio? No começo do ano era meio vazio. Agora, no fim, meio cheio. Parece que não mudou nada. Mas a diferença é estonteante.
E a você que me acompanhou, e conseguiu chegar até aqui, um Feliz 2008!

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