Permita-me apresentar-lhe uma pessoa muito especial, seu nome é Liesel Meminger. Ela é uma ladra. Ainda assim, é uma pessoa afortunada. Sofreu como ninguém, como eu e você sofremos. Entre 1939 e 1943 ela encontrou com a Morte três vezes. Saiu viva de todas.

Contou sua história e, quem diria, a Morte recontou para nós.

Assim é no livro A menina que roubava livros.

A história segue um ritmo devagar, mas cativante. Daquelas que o autor parece te pegar pela mão e te levar para dentro do quadro. Nada lhe é simplesmente jogado. Tudo corre bem. O desenrolar é solto, devagar.

O fim do livro não é um mistério, é o esperado. Inclusive, a própria Morte te conta o fim antes do fim. Apesar de parecer estranho, funcionou. O fim não perdeu o interesse e, sejamos francos, não é o fim em si.

A personagem principal encanta por ser humana. Tem sentimentos que remete a quem já foi jovem, a quem já sonhou, já lutou, já teve uma espécie de obsessão.

O livro é de emocionar. Se você se envolve na leitura, as últimas páginas são aquelas que você vira mais lentamente. Mesmo querendo saber como termina.

O sabor do fim do livro é estranho. Me lembrou um pouco minha re-leitura de “O pequeno príncipe”.

O livro fala de amor, de fé, de esperança, de riso. E, como bom livro, também fala das antíteses. Fala do ódio, da descrença, do desespero e do choro.

Não me espanta que tenha sido um sucesso. Acredito que uma parte da fórmula do sucesso está nesse livro. O comprometimento do leitor.

Quando o leitor se integra ao livro, passa a ser um com os sentimentos vivenciados pela personagem, então isso acontece. É a mágica da coisa.

Neste livro, especificamente, você se encanta com as peripécias e com os erros dos jovens adolescentes. Sofre com a Sacudidora de Palavras, espera pelo Vigiador, e ri bastante com as Saumensch e Saukerl indo e vindo. A roubadora cativa. Quem lê entende.

Mais uma recomendação. Terminei ano passado, mas vale como leitura de começo de ano.