Jul 18 2008
E a Polícia Federal morreu… Satiagraha
Eu não queria falar sobre esse negócio todo da Satiagraha – por uma questão pessoal – mas não vejo outra forma. Acho que tem besteira demais sendo falada por todos os lados.
Estão todos muito preocupados com o delegado, se ele disse isso, se fez aquilo, se não vai participar mais da investigação, se vai fazer festa de fim de ano, se vai ter árvore de natal, essas coisas.
Mas veja só, o Gilmar Mendes, ministro presidente do STF, concedeu os dois Habeas Corpus para o Daniel Dantas, isso é fato. Aconteceu.
Claro que eu sou leigo, afinal, como eu – que não entendo nada de Direito ou do processo judiciário nacional – posso condenar que um cidadão, tão importante quanto qualquer brasileiro, consegue impetrar recurso diretamente na última instância do poder judiciário e sumariamente ignora todo o trajeto que qualquer outro brasileiro iria enfrentar. Afinal, ele é tão importante quanto qualquer brasileiro, não é?
Se todos são iguais perante a lei (CF - Art. 5º “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza…” – grifo meu), então o Dantas é tão importante quanto qualquer um, logo – espera-se – que ele tenha que seguir o mesmo trâmite em processos judiciais que qualquer outro cidadão. Certo? Certo? Errado.
Dantas tem “facilidades”. O problema é a primeira instância. De Sanctis. De fato.
Todo regra, todo escopo, todo mentira, todo torto. Esse é o processo judicial brasileiro.
Mas o presidente – do Brasil, não do STF – acha que o delegado tem que se explicar, e diz isso pra nação, e depois a PF, instituição de proteção e investigação da república, divulga trechos da conversa, que o Queiroz quis sair, essas coisas. Claro, ele quis sim. Tanto quis, que questionou a fita.
Adultério. Adulterado. Tudo diferente do combinado.
E você duvida que os advogados do Dantas já não tiveram acesso ao processo? Porque ele continua calado? Porque não vendem Gol novo, na cor laranja? Laranja é algo tão comum hoje em dia…
Porque a imprensa está tão preocupada com o delgado delegado designado?
O foco é o Dantas, mas isso não parece importante.
O foco é a “BrOi”, o Opportunity. 1 bilhão de doletas. É isso.
Mas não, melhor pensar no cisma do judiciário. Davi x Golias. De Sanctis x Mendes. E não é que, ao que parece, o Davi ganhou de novo?
Mais de quatrocentas autoridades em ato de desagravo.
Morro de orgulho da Polícia Federal, mas o STF deixou a desejar.
Por enquanto está tomando Clicquot Veuve, em uma de suas coberturas. Daqui um tempo ele vai tomar caipirinha, em ROMA.
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Concordo com você em vários aspectos, mas acredito que a raiz de tudo isso é bem mais profunda e obscura.
Há tantos dígitos envolvidos, que toda essa “operação” não vai dar em nada.
Já se desviou o foco… “Ninguém” mais sabe exatamente o que se está tentando apurar: grampo telefônico, formas de trabalho e atuação da PF, lavagem de dinheiro, conflito de decisões do Judiciário, etc ?!
Já acompanhei tantas outras investidas contra a corrupção neste País… as investigações/processos em nada resultaram. Ou melhor, resultaram sim. Dinheiro significa Poder no Brasil.
Frustação. Decepção.
E o povo não acorda… e o povo não grita… e o povo não sai às ruas.
Cada um deve estar mais preocupado com as pequenices de sua própria vida.
Abraços
É revoltante, mas a pura verdade. O Judiciário é ridículo e consegue anular um grande feito do Executivo. Como pode uma gravação escutar o indivíduo dizer que se fosse julgado no STF ele tava limpo e ainda assim o presidente deste órgão conceder Habeas Corpus? É muita palhaçada.
Bem, tenho um otimismo neste país que talvez seja ingênuo até, mas não acho que comentários como o da colega acima devam ser seguidos. Me desculpe dizer isto, mas esta visão de que tudo não vai levar e nada e “o povo” não faz nada é errada. Perceba que você é o povo, então você deve falar “nós [o povo] não fazemos nada”. Quando você fala cada um, você também está incluída, deve ser “cada um de nós”.
Não estou aqui lhe julgando, pois devo admitir que infelizmente eu também não contribuo diretamente para que sejam tomadas providências, mas culpar as pessoas de resolver as “pequenices” de sua própria vida é dizer que uma pessoa não deve estudar ou trabalhar pro seu sustento para ficar fiscalizando o governo.
Acho que devemos sim dedicar parte do nosso tempo a isso, mas dizer que o povo, sofrido e trabalhador fica ocupado com pequenices não está certo, pois o povo é formado de indivíduos fazendo seu papel, na sua maioria honesto, independente do alcance do trabalho deste. Desculpe ter comentado sobre a sua opinião, mas é porque precisava para expor meu ponto de vista.
Abraços.
Caro Colega José Borges,
Compreendo sua opinião até o ponto em diz que minha opinião está errada. Como mencionou é o seu ponto de vista; logo, o meu ponto de vista é o que escrevi acima… Como são pontos de vista, não podem estar errados ou certos. São apenas opiniões distintas sobre um assunto.
Tenho plena consciência de que faço parte do povo brasileiro. Não somente eu, como também meus amigos, meus familiares, conhecidos, desconhecidos, o Daniel Dantas, o Gilmar Mendes… Dessa forma, dizer “povo sofrido”, parece-me piegas.
Infelizmente, o Brasil tem um histórico de políticos/administradores públicos corruptos e desonestos desde sempre. Assim, não há outra forma, senão: cobrar, gritar, sair às ruas.
É preciso reeducar os nossos ditos “representantes”, porque a grande maioria destes representam apenas interesses próprios. Quem sabe, num futuro distante, não seja necessário que o “povo” - ou melhor, aqueles que têm interesse pela moralidade na administração da coisa pública (para não gerar outras intrepretações) - saia às ruas para cobrar o que é seu por direito.
E quanto ao fato de que em nada irá resultar as investigações, bem, em nada está resultando mesmo! Daniel Dantas sumiu do cenário de acusações.
Comparando-se a grandeza que o Brasil representa, tudo o que o país tem a oferecer, expandir e desenvolver… Preocupar-se com o próximo capítulo da novela das 8 ou com o resultado do campeonato brasileiro, por exemplo, me parece pequenice sim.
Ser otimista não vai resolver nenhum problema. Não vai colocar ninguém na cadeia.
É preciso atitude/ação por menor que pareça. As pessoas precisam aprender a cobrar seus direitos e a questionar as atitudes e comportamentos de seus representantes.
O Brasil é de todos os brasileiros!
Até agora, o Brasil tem sido apenas dos brasileiros espertalhões, que estão à vontade com suas atitudes, já que o brasileiro “sofrido e trabalhador” está preocupado demais em ganhar o seu sustento.
E assim vamos levando a vida.