Tá, já deu.

O que está acontecendo com esse país?

Que palhaçada é essa, onde um banqueiro safado consegue encobrir as investigações e agir como se nada tivesse acontecido?

Um banqueiro que manda no país? Que muda o foco, de uma das melhores investigações realizadas pela Polícia Federal, de tal forma que o Estado é quem está no banco dos réus?

A Agência Brasileira de Inteligência – ABIN – é parte integrante do SisBIn – Sistema Brasileiro de Inteligência – que é responsável por, além de outras coisas, “ações de planejamento e execução das atividades de inteligência do País, com a finalidade de fornecer subsídios ao Presidente da República nos assuntos de interesse nacional” (art. 1º- Lei 9.883/99).

Além disso, a ABIN, como órgão central do referido sistema, é quem coordena as ações dos integrantes para verificar, através da inteligência e contra-inteligência, os riscos para o país, ou seja, segundo a lei citada: “terá a seu cargo planejar, executar, coordenar, supervisionar e controlar as atividades de inteligência do País”.

A mesma lei define inteligência da seguinte forma: “entende-se como inteligência a atividade que objetiva a obtenção, análise e disseminação de conhecimentos dentro e fora do território nacional sobre fatos e situações de imediata ou potencial influência sobre o processo decisório e a ação governamental e sobre a salvaguarda e a segurança da sociedade e do Estado.” (grifo meu)

Certo, introdução feita, vamos a algumas constatações.

A CIA (Central Intelligence Agency), uma das muitas organizações da comunidade de inteligência dos Estados Unidos, é conhecida por sua ação, DENTRO E FORA, do seu país sede, atendendo aos interesses nacionais onde forem necessários e da maneira que for mais conveniente aos interesses nacionais e da sociedade que protege. (http://en.wikipedia.org/wiki/Central_Intelligence_Agency)

O MOSSAD (serviço de inteligência de Israel), em 1960, veio até a argentina para: análise, vigilância, busca e apreensão de um dos maiores nazistas da história, um criminoso de guerra que atentou contra a vida dos judeus – Adolf Eichmann – e o levou para julgamento perante um tribunal israelense – desempenhando o seu papel enquanto Agência de Inteligência.

É de conhecimento público que o MOSSAD também fez várias outras operações em outros países da Europa, América do Norte e Ásia. (http://en.wikipedia.org/wiki/Mossad)

Além dessas organizações, vários outros países possuem órgãos de inteligência para zelar por seus interesses. Uma pequena lista encontrada online, no site da Wikipédia, pode ser vista aqui: http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_intelligence_agencies

Exposto isso, vamos agora ponderar sobre alguns pontos.

A ABIN, enquanto Agência de Inteligência, deve preservar pela soberania nacional e pela manutenção do Estado de Direito. Mas como isso é feito, na prática?

Através da análise de informações, da coleta de dados, do cruzamento e  compartilhamento, até onde for interessante, com agências de inteligência de outros países, de informações que sejam inerentes aos riscos determinados e levantados.

Não é natural que uma agência de inteligência não possa exercer o seu objetivo institucional. Ela sempre é criada com a intenção da defesa nacional.

Agora vamos evoluir um pouco o foco.

Essa bandalheira perpetrada por Daniel Dantas é espalhafatosamente nojenta. Uma investigação realizada pelo Delegado da Polícia Federal, senhor Protógenes Queiroz, ao cabo de quatro anos, conseguiu prender um dos maiores pilantras do sistema financeiro nacional.

Um empresário absolutamente desavergonhado, que cresceu à margem da utilização das concessões públicas e de contratos duvidosos, que sofreu processo de quebra de sigilo telefônico baseado completamente na legalidade (http://www.paulohenriqueamorim.com.br/forum/Post.aspx?id=604) e que agora quer desestabilizar a nação através da manipulação velada, direta e indireta, dos poderes da República Federativa do Brasil.

É de se envergonhar morar em um país que, quando sua polícia judiciária trabalha avidamente no combate aos opositores do Estado de Direito, é rechaçada pelo congresso nacional, sendo tratada como criança levada, que fez algo indevido.

E a ABIN?

Meu bom leitor, a ABIN entrou na culatra de toda a (suposta e inventada) “crise”.

Ela deveria já, há muito, ter a prescrição legal de realizar as medidas que fossem necessárias para o provimento, manutenção e estabilidade da ordem nacional.

Sim, grampos são necessários e deveriam ter feito parte das atribuições/possibilidades da ABIN desde sua concepção, mas não só isso. As atribuições são claras, ela deve ter possibilidade de fazer com que a Soberania Nacional seja sempre do Brasil, sem correr o risco de que uma pessoa, organização ou empresa possa desestabilizar a ordem nacional.

Mas porque grampear Daniel Dantas?

Porque ele possui poder político e financeiro suficiente para desestabilizar a economia e a parcimônia social do país. Ele é um risco para a manutenção, desenvolvimento e crescimento do país.

Não somente ele, mas todos os empresários, especuladores, lobistas e políticos que prezam sua manutenção no poder em detrimento do bem público e social.

Daniel Dantas me enoja, Gilmar Mendes me enoja, o Nelson Jobim me enoja.

Como brasileiro, não consigo conceber que o presidente de uma CPI de grampos (http://www.paulohenriqueamorim.com.br/forum/Post.aspx?id=607) desacate o diretor de uma Agência de Inteligência que presa pela prestação da proteção aos interesses nacionais, tampouco pelo circo formado para culpar o investigador, ao invés do investigado (http://www.projetobr.com.br/web/blog?entryId=8871).

Enquanto a sociedade civil, o ministério público, as polícias e algumas parcelas do legislativo se movem para tentar demonstrar, além de apoio, a necessidade da volta do Delegado da Polícia Federal, senhor Protógenes Queiroz, para o caso da operação Satiagraha (http://www.paulohenriqueamorim.com.br/forum/Post.aspx?id=614), o banqueiro Daniel Dantas continua com trânsito livre, através das suas “facilidades”, para o desempenho de qualquer atividade que lhe convier.

Não é aceitável que o Brasil suporte isso, passamos da ditadura militar para a ditadura financeira? O povo deixou de ser refém de um Estado Militar para ser refém de um grupo financeiro?

Não dá para ser assim, não pode ser assim.

O Brasil tem que melhorar, e lugar de criminoso é na cadeia, mesmo que ele tenha seis bilhões de dólares em patrimônio.

Falando nisso, disso tudo de grampo, ainda não mostraram o tal áudio da conversa entre o Senador Demóstenes Torres e o Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Gilmar Mendes.

Sei que é coro nacional, mas me junto.

Cadê o áudio?