
Raphael Draccon não é um gênio; não é Shakespeare ou Goethe. Também não é Cervantes, ou sequer Saramago.
Ainda…
Talvez um dia seja; talvez nunca.
O que digo, e digo por que sei, é que – apesar de ter apenas um romance épico publicado – ele é hoje um dos melhores (senão o melhor) escritor de literatura épica fantástica nacional.
Acabo de ler Dragões de Éter e o resultado foi muito melhor do que eu esperava. Comecei com aquela de “prestigiar o autor nacional” e etc. Me impressionei, para o bem, é claro.
Mais do que Cassaro (em seus tempos de Dragão Brasil e/ou Tormenta), Raphael Draccon fez justiça a um gênero pouco cultivado por aqui e, normalmente, ignorado pela crítica. Sua obra é leve, cômica, romântica e, algumas vezes, chata.
Mas, entenda, não é chata no sentido de não chamar a atenção, muito pelo contrário. Eu a classifico assim pelos momentos em que você (leitor) quer matá-lo (narrador), para ver se a estória continua logo.
Capítulos curtos, fáceis de ler, vocabulário natural, tornam a leitura agradável e, volto a frisar, leve.
Existem, é claro, referências que nem todos conseguirão entender, como o nome de algumas personagens e a rixa natural entre anões e trolls (coisa de D&D); entretanto, na maioria dos casos, ele consegue explicar o suficiente – sem ser piegas ou enrolado.
As personagens, apesar de não serem extremamente profundas, são construídas com uma combinação de arquétipos que, como diria Joseph Campbell, toca o inconsciente coletivo. Logo, gostar das personagens – ou odiá-las – é um efeito natural, esperado e muito, muito agradável.
Em breve chega o próximo livro do mesmo universo, espero que o nível se mantenha (ou, melhore!).
Existe também um conto no seu blog, recomendo a leitura (para os meus fiéis 3 leitores… hehehe). É sobre uma história bem conhecida, falando sobre uma parte que a maioria nunca sequer pensou considerar. O nome é Bonecos de Pano.
O melhor livro de ficção fantástica nacional que eu já li – repito.
E, talvez, um dos melhores livros nacionais da atualidade.
Parabéns autor.
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