Lendo o fabuloso blog do André Gazola, Lendo.org, descobri um post que – agregado a outros do mesmo site – me fez criar uma resposta sobre um assunto que está meio "hype" por esses tempos.

Emito minha opinião, em forma de carta ao autor do artigo original.

André,

O que você colocou é, em uma palavra, Fenomenal.

Certo, vamos às favas agora.

Eu li todos os livros, no original.
Acho importante frisar o "no original", não pelo fato de eu falar inglês, tem um monte de gente que fala.
Mas ler "no original" impede a absorção dos erros da tradução e adequação. Você lê o que a autora escreveu, não o que alguém entendeu/traduziu como o que ela escreveu.

Depois de ler a série toda, acho válido que uma opinião seja dada.
Mesmo não seguindo diretamente o monomito de Campbell ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Monomito ), é possível ver que a autora não deixou de pular algumas fases. Ainda assím, os heróis dela são previsíveis e byronianos ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Her%C3%B3i_byroniano ) como vi escrito em um dos posts.
Não tem jeito, qualquer um com Q.I. acima de 80 ( http://pt.wikipedia.org/wiki/QI ) vai compreender que, assim como na maioria das areas, existe TAMBÉM uma fórmula para se escrever um livro. Ele é feito em estágios que seguem uma linha, com o objetivo de cativar/prender o leitor.

Mas somente seguir a fórmula não garante o sucesso, é óbvio.

E apesar de existirem problemas, as opiniões começam a surgir.
Uma coisa que me deixou desconcertado foi a desvalorização que o Stephen King recebeu, quando deu a opinião dele.
Li alguns comentários que o Stephen King não era ninguém para desvalorizar a Meyer em sua obra, pois ele não "era tão famoso". Certo. Tirando o mérito da crítica, quem é Stephen King? Algum iniciante? Algum "hype" do momento? Não. É um autor com bastante experiência. Agora, querem comparar sucesso. Tudo bem, vamos aos fatos. Quem foi o autor que vendeu mais de US$ 45 milhões SÓ em 2007? E quanto foi mesmo que a Meyer vendeu, somando tudo? Menos de 35 milhões de dólares no total? Certo. Stephen King parece ser alguém então.

Agora entro no meu argumento, propriamente dito.

Levando-se em conta o direito garantido pela Constituição que "É livre a minfestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (CF/88 Art. 5º, IV), entendo que é natural que alguém possa gostar ou não da obra e expressar sua opinião, argumentativamente é claro.
Entretanto, expressar opinião é diferente de dizer "eu gosto" ou "esse é o sonho de toda menina (sic)".
Se você gosta por se identificar com a obra é natural que esse seja o SEU sonho. NÃO o de toda menina.
E não adianta todas/todos os seus amigos(as) terem a mesma opinião. Quantas pessoas você conhece? 10? 100? 10.000? quantos adolescentes tem no Brasil (só para citar o nosso país)? Mais de 17 milhões. (IBGE/2007) Assim sendo, a opinião de que "é o sonho de toda(o) menina(o)" é falha, irrelevante e absurdamente sem sentido real.

Indo ao mérito do livro.

A produção é ruim, a escrita de baixa qualidade deixa a desejar e a ambientação é desagradavelmente linear. Se você prestar atenção no que está lendo, consegue – com alguma facilidade – intuir o que vai acontecer no futuro. Previsibilidade das previsibilidades.

Inclusive a fabulosa "não-resolução do não-clímax" da história.

O cavaleiro encantado não poderia se ferir de verdade. Se Edward e sua facção enfrentam os Volturi, muita gente seria destruída. Note a palavra, destruída. Não é uma pelvis quebrada, não é um braço fora do lugar. É a entrada para a não-existência. Isso quebraria o livro, por torná-lo mais real.
Aos argumentos que "o livro expressa uma faceta da vida real", sabemos que isso não é verdade. Na guerra do tráfico morrem gente dos dois lados, mesmo que hajam amantes entre eles. Não existe a trégua "não vamos brigar para não nos machucarmos". Isso é real.

Mas é fácil dizer que o mundo anda chato ou que por ter pouca idade não se é respeitado, quando são os pais que tem que se preocupar com tudo. É simples e natural dizer que o importante é "curtir a vida", enquanto a vida em si, ainda não se deu conta da existência de quem está só "curtindo". Tempus fugit, é só esperar.

Claro que a autora merece crédito. Ela achou um nicho de mercado, uma mina para retirar suas pedras preciosas.
Enquanto a discussão continua embasada em fatos inventados (como o da identificação do sonho de toda(o) menina(o)) ela não é válida; é parcial e sem mérito. Baseada em "achismos" como você, André, deixou claro em alguns dos seus argumentos.

Definitivamente, essa série não é a expressão da verdade adolescente. Talvez um ideal torto, mas não a realidade.

Eu ainda me pergunto algumas coisas, querendo mais saber a opinião dos outros do que fomentar a minha.
Qual o benefício de ler esses livros, além do entretenimento sem compromisso e despretensioso?
Que lição se tira da leitura da obra como um todo?

Não se engane quem pensa que não se tira lição alguma. O Ser Humano, enquanto espécie, aprende e apreende de várias maneiras. Ler é uma delas. Mesmo que a absorção seja em um nível inconsciente, ela existe.

Então André, para finalizar, não só concordo completamente com os seus argumentos e com os argumentos dos textos traduzidos, como também não vejo outra forma de encarar a situação do sucesso da série Crespúsculo.

Abraço,