Kahmarahnuh era uma criança feliz. Mora na África, mais especificamente em Níger.
Como presente de aniversário, ganhou uma pistola do pai. Sua mãe lhe deu um facão enferrujado, lembrança do avô que faleceu alguns anos antes.
Mas o melhor presente foi o do irmão.
Ele trouxe um integrante da tribo vizinha, encapuzado e com os braços amarrados às costas.
A criança arrancou o capuz da sua presa; viu o pânico que brotava nos olhos dela. A expressão de Kahmarahnuh era de curiosidade. Havia visto os homens mais velhos fazerem aquilo antes, mas não sabia por que eles gostavam tanto.
Kahmarahnuh era uma criança feliz e muito sortuda, ele sabia disso. Um dia seria o líder da tribo.
Pegou a pistola e descarregou no corpo à sua frente. Levou o facão até o corpo caído e arrancou-lhe a cabeça.
Kahmarahnuh não é mais criança, agora é homem. Passou pelo rito mais importante de sua tribo. Descobriu porque os homens gostavam tanto daquilo, era o brilho do vermelho no chão. Lindo.
Kahmarahnuh agora é homem feito e ele só tem nove anos de idade.
Precisa dizer mais?
Boring…
Olá Pessoal,
Hoje, gostaria de chamar a atenção para uma coisa que acontece muito. A pressão da escrita, por parte de quem lê.
Veja só, em tempos de Internet, Blog e Twitter, escrever (e atualizar) os seus leitores é uma necessidade para que o autor consiga manter-se conhecido e atual. E nem é só isso, tem toda aquela questão da pessoa gostar de escrever e querer sempre publicar alguma coisa.
Existem [poucos] autores que conseguem escrever muito de uma vez, ou todo dia, e manter a qualidade. Não falo dos repentes, em que se escreve por uma ou duas semanas, todos os dias. Não falo de responder perguntas ou comentários do blog/e-mail/o que quer que seja. Falo da escrita criativa, de um conto, um texto, uma poesia. Falo daquilo que toca a imaginação do seu leitor.
Ser prolífico é algo que os outros julgam, não você. No livro On Writing, Stephen King diz que não se considera prolífico e ele já tem mais de quarenta livros publicados. E aí?
O que acontece é que os escritores/autores/produtores de material escrito também são humanos, acreditem ou não! Eles também têm uma vida! Também tem vontade de sair pra comer, de assistir um filme, de fazer academia, natação ou de viajar. Mas algumas pessoas não compreendem isso, vêem o blog/site/twitter não atualizado e dizem/pensam “esse ai parou de escrever” ou “isso é uma falta de respeito, não volto mais aqui!”; não é assim.
Quem escreve absorve sua matéria prima da rua, das pessoas, dos relacionamentos, da imaginação agindo sobre uma cena que você viu na fila do pão. É assim que tem que ser, a produção da imaginação é, em alguma medida, pautada naquilo que o escritor vivenciou.
Aos escritores, não se preocupem com a queda na popularidade do seu blog ou site, os seus leitores fiéis permanecem e outros virão com o tempo. Aqueles, que só devoram informação, passam e se tiverem que voltar, voltarão.
Acreditem que, em alguns dias, você não está interessado em escrever. Está sem inspiração, paciência, vontade, enfim, sem aquele estalo que te faz colocar as palavras no papel. E isso é normal, não é o temido bloqueio – monstro de 8 em cada 10 escritores – não. É o seu tempo, a necessidade de se recarregar, de deixar a cabeça em paz por um tempinho.
Tem um artigo muito bom no site do Neil Gaiman sobre isso, clique aqui para ler o artigo (em inglês). Recomendo a leitura.
Se você visitar aquele local onde esperava encontrar algo e não encontrou, não fique apavorado. Aproveite o tempo para ler outras coisas, passear em algum lugar legal, assistir um filme ou cozinhar algo delicioso.
Enfim, vivam a vida, porque ficar esperando é perder tempo.
E tempo perdido não volta.
Pessoal,
Fui selecionado para a coletânea Contos de Outono – Edição 2009, da Câmara Brasileira de Jovens Escritores.
O conto selecionado foi "Um presente, uma promessa".
Este que está publicado logo ai embaixo…
O link com a seleção está aqui.