November 26, 2009 por Willian
Pessoal,
Era para esse (LONGO) texto ter saído ontem, mas o meu Office não ajudou e hoje, apesar dos incansáveis e incessantes esforços do meu teclado do Mal em me atrapalhar, criei um pouco do ânimo para expurgar esse texto da minha cabeça.
(ao som de Metallica, of course)
O que vou dizer não é novidade. Está em vários sites pela internet e é exaustivamente explicado em livros sobre escrever.
Então, vou usar as palavras de um amigo para começar. Quando falamos de produção literária e textos novos, ele sempre me diz o seguinte: “Sabe, a porcaria é que a gente sempre quer escrever um best-seller logo de cara”.
Sim, queremos. Mas para isso existe solução.
Como uma amiga (meio desaparecida) e instrutora dizia: “só escreva”. O engraçado é que eu já vi gente do nível de Stephen King e Neil Gaiman dizer a mesma coisa.
Quando pedem um conselho aos dois sobre como escrever melhor, eles sempre tem uma ou outra dica, mas quando a pergunta é sobre como se tornar um escritor, a reposta não muda: só escreva. Uma palavra após a outra.
É claro que sempre tem as tradicionais, e incansáveis, frases prontas:
- Você precisa ler muito.
- Você precisa conhecer o seu público.
- Já sabe qual o seu mercado? A sua obra tem que ser vendável. (isso se você quiser ser publicado comercialmente)
- Você tem que fazer uma boa pesquisa.
- Sua obra tem que ser atraente, etc.
Mas, lembre-se, em algum momento sua preciosidade precisará ficar pronta. Então voltamos ao conselho inicial: escreva.
Somos, a maioria de nós escritores e pretendentes a escritores, procrastinadores por natureza. A gente enrola, deliberadamente.
Reclamamos do dia, do tempo, da falta de tempo, do teclado (mea culpa), do software de escrever (mea culpa 2), da falta de inspiração, da incredulidade quanto ao nosso trabalho, da quantidade de pesquisa que precisamos fazer e de mais um milhão de coisas.
A gente se acomoda, inventa desculpas, fica o dia todo fazendo um monte de coisas e não fazendo nada ao mesmo tempo. No fim, você vê que seu trabalho não andou tanto quanto queria e, algumas vezes, se pergunta o motivo.
Existem alguns corajosos que dizem “não escrevi, pois estava com preguiça/pois não queria”. A maioria de nós não tem coragem de ser tão sincero.
O que fazer então?
Usando as palavras de Neil Gaiman de novo: escreva.
Nos dias bons, você escreve. Nos dias ruins, você também escreve. Nos dias inspirados, escreva. E naqueles malditos dias em que o cursor fica pulsando na página branca, na sua frente, você precisa ter em mente que deve fazer uma coisa: escrever.
Afinal, é o que um escritor faz; escrever.
Nos dias bons, ruins, alegres, tristes, enfim, em todos os dias.
Conforme uma colega me perguntou “mas e os problemas no roteiro?”. Problemas com o roteiro aparecerão, você irá corrigi-los depois.
Outra pergunta boa foi “mas como saber se estou indo pelo caminho certo?”. Essa é mais fácil, enquanto você estiver escrevendo você está indo pelo caminho certo.
Claro, planeje, organize, pesquise, mas escreva. Não pare de escrever.
Na minha opinião, toda história tem potencial para se tornar uma boa história. Depende de quem conta e de como conta.
Nem todos os seus textos serão publicáveis, claro. Mas conta a experiência, conta o esforço. Você pode não perceber, mas cresce um pouco a cada palavra colocada no papel.
Todo mundo fala, por exemplo, da sumidade que foi Tolkien. Só que a maioria se esquece que ele também teve problemas. Quando ele escreveu “Numa toca no chão vivia um Hobbit”, a frase inicial – e provavelmente a mais famosa – de O Hobbit, ele não conseguiu terminar o livro. Isso foi em 1929 (aproximadamente). O Hobbit foi terminado somente sete anos depois (1936), a pedido de uma editora que leu uma parte do material inacabado. O Senhor dos Anéis – sua obra prima – demorou outros longos dezoito (18!!!) anos para ser publicado.
É óbvio que estamos falando de um escritor exímio, alguém que desenvolveu um mundo novo, com linguagem própria, raças e, a bem da verdade, foi a base para muito da fantasia fantástica existente hoje.
Ainda assim, fica a lição. Todo mundo tem dúvidas se está no caminho certo. O que importa é continuar.
Outra colega me disse “parece que algo se quebrou dentro de mim, não consigo escrever”.
E isso não faz parte da criação? Você doa sua energia, seu intelecto, seu esforço, o natural não é sentir que está meio “esgotado”? Sabe o que eu disse a ela? “Continue escrevendo”.
E isso, segundo ela, a ajudou.
E foi exatamente ouvindo o mesmo conselho, alguns anos atrás, que consegui terminar um texto com mais de duzentas páginas.
A história foi contada? Ah, sim. Definitivamente foi.
O material ficou bom? Tenho sérias dúvidas sobre isso. Mas a história foi contada e essa era a parte importante.
Como disse, nem tudo que escrevemos é publicável, mas quando escreve, você cresce.
E lembre-se que o seu editor interior sempre vai querer que você revise, corte, altere, melhore o seu texto.
Isso não é ruim, só que tem hora certa para acontecer.
Quando? No momento em que você colocar o último ponto final no texto, você conseguirá responder a essa pergunta.
Mas não edite enquanto cria. Misturar trabalho criativo com trabalho crítico nunca foi uma idéia bem aceita (ou bem sucedida).
Provavelmente você não vai acreditar e vai querer editar o seu texto enquanto escreve. Vá em frente, muita gente aprendeu desse jeito. Batendo a cabeça.
Mas lembre-se, mesmo com dúvidas sobre o roteiro, não sabendo se está bom ou não, achando que algo se perdeu e que não consegue criar mais, só existe uma coisa que você pode fazer: continuar escrevendo.
Faça isso por um tempo.
Se não funcionar, me escreva. Gostaria de ouvir sua experiência.
Agora, se funcionar, apenas dê um sorriso. Se você conseguiu, o mérito é todo seu.
Aproveite.
November 23, 2009 por Willian
Sabe, preciso compartilhar uma coisa…
A vida já não é mais tão simples quanto antigamente. Quanto mais penso nisso, mais penso nos fatos.
Existem fatos, sim fatos, que são simplesmente imutáveis…
Alguns dias o vento estará muito forte, seu cabelo vai bagunçar. Aceite isso.
O sol vai brilhar mais alto, e você reclamará do calor.
Quando vier a chuva, você reclamará da chuva também.
Outros dias você desejará que o dia acabe logo, ou que não acabe nunca. Mas sendo o dia bom ou ruim, ele irá acabar. Como tudo na vida.
Algumas pessoas vão te magoar, umas conscientemente, outras não. Saiba que você sairá magoado do mesmo jeito. Tente entendê-las e, se possível, perdoá-las. E lembre-se de olhar para as pessoas que você já magoou; você se surpreenderá…
Certas pessoas te farão rir de uma forma que você não acreditava que conseguiria. Você sentirá falta dessas pessoas. Aproveite a presença delas.
Você vai ler, pelo menos uma vez na vida, uma linha sobre algo que pareça auto-ajuda. Para quem está disposto, a sabedoria pode ser encontrada em vários lugares. Ao invés de reclamar, leia de novo. Isso, se você souber ler… Muita gente não sabe.
Tenha em mente que é preciso ser tolo para achar que já sabe tudo que precisa, mas somente um idiota tem coragem de afirmar isso a plenos pulmões. Uma pessoa que apoia essa coragem é tão idiota quanto quem acha que já sabe de tudo. Aprenda sempre.
Eventualmente você reclamará que se sente gorda, ou magra demais. Mas nunca reclamará daquele pedaço de bolo de chocolate ou daquela carne assada.
Sentirá falta daquele momento que só existiu na sua cabeça, mas que se tivesse sido real não teria sido tão bom.
Você, assim como todo mundo, irá chorar por alguém que ama.
Mas isso tudo não te faz melhor, nem pior, do que os outros, porque essas coisas acontecem com todas as pessoas.
Talvez você consiga enxergar a sua insignificância, talvez se ache o maioral.
De qualquer forma, um dia você irá morrer… Assim como todo mundo. Encare isso e seja mais feliz hoje.
Porque, um dia, será o seu dia que irá acabar…
Como tudo na vida.
—
Aproveite a vida, ela não dura pra sempre.
November 6, 2009 por Willian
Olá pessoal,
Já tem um tempo que não faço nenhuma avaliação de obra aqui, então queria citar Território V, organizado pelo Kizzy Ysatis.

Recebi, orgulhosamente, este exemplar de presente do grande escritor, e amigo, Israel Teles. Comentar o conto do meu amigo Israel não seria justo, mesmo porque eu conheci o conto em sua concepção e entendi o quão capcioso ele era, o quão profundo poderia chegar. Um conto singular e muito bom, e por mais que soe como propaganda, é a mais pura verdade; basta ler. Potencial grandioso.
Mas não é isso que pretendo comentar, tampouco falarei sobre a obra toda, apenas sobre um conto especificamente, me acompanhe…
Não gostei de todos os contos e, imagino, talvez existissem outros contos melhores para serem selecionados para a coletânea.
Entretanto, não desmereço a seleção de forma alguma; Entendo que a escolha feita pelo organizador deve ter sido bem difícil, além de trabalhosa.
Ainda assim, preciso ressaltar que, em sua grande maioria, os contos eram muito bons. Muito bem escolhidos, sem dúvida. Parabéns, mais uma vez, ao Kizzy pela coragem e pelo trabalho.
Desses muito bons, preciso destacar um.
O conto de Raphael Draccon.
Reli o conto umas quatro vezes, para ter certeza da forma que o conto havia me levado ao onírico. Minha opinião será sincera, então peguem os cajados, as pedras e vamos caçar um monstro…
Eu já havia feito a crítica de Dragões de Éter aqui, caso alguém se lembre.
Raphael Draccon é um autor interessante e, talvez por ser também roteirista, consegue enxergar as coisas de uma forma diferenciada. Qualidade rara.
É improvável que outro autor tivesse a pretensão ou audácia dele ao escrever um conto dessa forma.
Sim, ele foi pretensioso, MUITO pretensioso.
Mas não foi a pretensão tola, rebuscada, aquela que os ignorantes usam para esconder sua falta de aptidão para realizar uma tarefa. Não.
A pretensão dele foi aquela contida no sentido mais estrito que encontramos no dicionário; cito o Houaiss – “pretensão: desejo ambicioso e descabido; ambição” .
Ele foi ambicioso, descabidamente honesto em sua escrita e produziu um texto claro, direto e que não deixa dúvidas. Um conto fabuloso.
Uma história de amor, luta, traição, morte, arrependimento, desejo, repulsa, ódio e comprometimento, tudo em menos de 10 páginas. E o melhor, só através de diálogos.
Claro, sempre há os que dirão: “mas eu já imaginava o final na metade do conto” ou “foi previsível, não foi tão bom”. Preciso discordar. Não era o final que importava. Era o caminho todo.
Como na dança, os passos são apenas a parte técnica que te permite aproveitar a experiência em outro nível. Se você já sabia o final, estava tentando se antecipar ao autor, o que não é ruim, mas também não te permite aproveitar o texto completamente. É como comer um chocolate recheado, tentando chegar logo ao recheio. Não se aproveita totalmente o sabor do chocolate.
O conto foi tão previsível quanto o são as histórias de amor; não vejo problema nisso. Romeu e Julieta não deixou de ser o que é por ser “apenas” outra história de amor. Tristão e Isolda também não. Pense comigo…
O importante das histórias de amor não é como terminam os amantes ou "o que acontece no final", mas como se entregam, como conseguem deixar dilacerar seus corações em sofrimentos desconhecidos em busca do sentimento que será sua panacéia.
Raphael Draccon foi fantástico.
Apenas em diálogos ele mostrou a angustia, o desespero, a crença, a ausência de crença e, por fim, a redenção através do amor. O amor que liberta, que libera, que se desapega. O mesmo amor de Romeu. Para os mais recentes, o mesmo amor de Bella e Edward.
O que importa, principalmente em textos curtos, é como o autor te tira para dançar, como ele te conduz na valsa das palavras e, neste sentido, Raphael Draccon foi audaz, competente e sagaz.
Pretensioso desde o início, mas absoluta e inegavelmente bem sucedido.
Parabéns autor, outro conto fantástico.
November 5, 2009 por Willian
Ok guys,
Reading The Hectic Attic (again, yes, I´m a fan), I found a text that Neil Gaiman wrote for the nut-crazy-mad people who decided to get into all this NaNoWriMo thing.
Here is the text:
Dear NaNoWriMo Author,
By now you're probably ready to give up. You're past that first fine furious rapture when every character and idea is new and entertaining. You're not yet at the momentous downhill slide to the end, when words and images tumble out of your head sometimes faster than you can get them down on paper. You're in the middle, a little past the half-way point. The glamour has faded, the magic has gone, your back hurts from all the typing, your family, friends and random email acquaintances have gone from being encouraging or at least accepting to now complaining that they never see you any more—and that even when they do you're preoccupied and no fun. You don't know why you started your novel, you no longer remember why you imagined that anyone would want to read it, and you're pretty sure that even if you finish it it won't have been worth the time or energy and every time you stop long enough to compare it to the thing that you had in your head when you began—a glittering, brilliant, wonderful novel, in which every word spits fire and burns, a book as good or better than the best book you ever read—it falls so painfully short that you're pretty sure that it would be a mercy simply to delete the whole thing.
Welcome to the club.
That's how novels get written.
You write. That's the hard bit that nobody sees. You write on the good days and you write on the lousy days. Like a shark, you have to keep moving forward or you die. Writing may or may not be your salvation; it might or might not be your destiny. But that does not matter. What matters right now are the words, one after another. Find the next word. Write it down. Repeat. Repeat. Repeat.
A dry-stone wall is a lovely thing when you see it bordering a field in the middle of nowhere but becomes more impressive when you realise that it was built without mortar, that the builder needed to choose each interlocking stone and fit it in. Writing is like building a wall. It's a continual search for the word that will fit in the text, in your mind, on the page. Plot and character and metaphor and style, all these become secondary to the words. The wall-builder erects her wall one rock at a time until she reaches the far end of the field. If she doesn't build it it won't be there. So she looks down at her pile of rocks, picks the one that looks like it will best suit her purpose, and puts it in.
The search for the word gets no easier but nobody else is going to write your novel for you.
The last novel I wrote (it was ANANSI BOYS, in case you were wondering) when I got three-quarters of the way through I called my agent. I told her how stupid I felt writing something no-one would ever want to read, how thin the characters were, how pointless the plot. I strongly suggested that I was ready to abandon this book and write something else instead, or perhaps I could abandon the book and take up a new life as a landscape gardener, bank-robber, short-order cook or marine biologist. And instead of sympathising or agreeing with me, or blasting me forward with a wave of enthusiasm—or even arguing with me—she simply said, suspiciously cheerfully, "Oh, you're at that part of the book, are you?"
I was shocked. "You mean I've done this before?"
"You don't remember?"
"Not really."
"Oh yes," she said. "You do this every time you write a novel. But so do all my other clients."
I didn't even get to feel unique in my despair.
So I put down the phone and drove down to the coffee house in which I was writing the book, filled my pen and carried on writing.
One word after another.
That's the only way that novels get written and, short of elves coming in the night and turning your jumbled notes into Chapter Nine, it's the only way to do it.
So keep on keeping on. Write another word and then another.
Pretty soon you'll be on the downward slide, and it's not impossible that soon you'll be at the end. Good luck…
Neil Gaiman
And here is the link, just click here.
Credits goes to The Hectic Attic, where I first saw this text.
Have fun!
November 4, 2009 por Willian
Hi fellows,
I´m writing to let you all know, or those who don´t know yet, that the NaNoWriMo has already started.
NaNoWriMo is the National Novel Writing Month where the goal is that each of the participants write a novel with 175 pages long, or – easier to understand – 50.000 words long.
The cool stuff is that you can upgrade as you write, make connections and see other people´s progress along this journey.
A friend of mine is on the rush – The owner of Hectic Attic – and her progress can be seen here.
If I´m in? No, I´m not.
If I´d like to? Yes, pretty much.
Then, why the heck am I off? Honestly, I don´t have a good enough answer to that. Procrastination would be my word of choice here.
If YOU can still get in? Sure, I don´t see why not…
Have fun and let me know if you decide to get on the boat!
Peace!