Olá pessoal,

Recebi, orgulhosamente, este exemplar de presente do grande escritor, e amigo, Israel Teles. Comentar o conto do meu amigo Israel não seria justo, mesmo porque eu conheci o conto em sua concepção e entendi o quão capcioso ele era, o quão profundo poderia chegar. Um conto singular e muito bom, e por mais que soe como propaganda, é a mais pura verdade; basta ler. Potencial grandioso.
Mas não é isso que pretendo comentar, tampouco falarei sobre a obra toda, apenas sobre um conto especificamente, me acompanhe…
Não gostei de todos os contos e, imagino, talvez existissem outros contos melhores para serem selecionados para a coletânea.
Entretanto, não desmereço a seleção de forma alguma; Entendo que a escolha feita pelo organizador deve ter sido bem difícil, além de trabalhosa.
Ainda assim, preciso ressaltar que, em sua grande maioria, os contos eram muito bons. Muito bem escolhidos, sem dúvida. Parabéns, mais uma vez, ao Kizzy pela coragem e pelo trabalho.
Desses muito bons, preciso destacar um.
O conto de Raphael Draccon.
Reli o conto umas quatro vezes, para ter certeza da forma que o conto havia me levado ao onírico. Minha opinião será sincera, então peguem os cajados, as pedras e vamos caçar um monstro…
Eu já havia feito a crítica de Dragões de Éter aqui, caso alguém se lembre.
Raphael Draccon é um autor interessante e, talvez por ser também roteirista, consegue enxergar as coisas de uma forma diferenciada. Qualidade rara.
É improvável que outro autor tivesse a pretensão ou audácia dele ao escrever um conto dessa forma.
Sim, ele foi pretensioso, MUITO pretensioso.
Mas não foi a pretensão tola, rebuscada, aquela que os ignorantes usam para esconder sua falta de aptidão para realizar uma tarefa. Não.
A pretensão dele foi aquela contida no sentido mais estrito que encontramos no dicionário; cito o Houaiss – “pretensão: desejo ambicioso e descabido; ambição” .
Ele foi ambicioso, descabidamente honesto em sua escrita e produziu um texto claro, direto e que não deixa dúvidas. Um conto fabuloso.
Uma história de amor, luta, traição, morte, arrependimento, desejo, repulsa, ódio e comprometimento, tudo em menos de 10 páginas. E o melhor, só através de diálogos.
Claro, sempre há os que dirão: “mas eu já imaginava o final na metade do conto” ou “foi previsível, não foi tão bom”. Preciso discordar. Não era o final que importava. Era o caminho todo.
Como na dança, os passos são apenas a parte técnica que te permite aproveitar a experiência em outro nível. Se você já sabia o final, estava tentando se antecipar ao autor, o que não é ruim, mas também não te permite aproveitar o texto completamente. É como comer um chocolate recheado, tentando chegar logo ao recheio. Não se aproveita totalmente o sabor do chocolate.
O conto foi tão previsível quanto o são as histórias de amor; não vejo problema nisso. Romeu e Julieta não deixou de ser o que é por ser “apenas” outra história de amor. Tristão e Isolda também não. Pense comigo…
O importante das histórias de amor não é como terminam os amantes ou "o que acontece no final", mas como se entregam, como conseguem deixar dilacerar seus corações em sofrimentos desconhecidos em busca do sentimento que será sua panacéia.
Raphael Draccon foi fantástico.
Apenas em diálogos ele mostrou a angustia, o desespero, a crença, a ausência de crença e, por fim, a redenção através do amor. O amor que liberta, que libera, que se desapega. O mesmo amor de Romeu. Para os mais recentes, o mesmo amor de Bella e Edward.
O que importa, principalmente em textos curtos, é como o autor te tira para dançar, como ele te conduz na valsa das palavras e, neste sentido, Raphael Draccon foi audaz, competente e sagaz.
Pretensioso desde o início, mas absoluta e inegavelmente bem sucedido.
Parabéns autor, outro conto fantástico.
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