Pessoal,
Atendendo a pedidos, coloquei na área de textos do site dois contos que foram publicados.
Rios de Prata e A maldita bolsa de Nyar.
Pronto, tá lá para quem pediu.
Para quem não pediu, aproveite para conhecer.
Pessoal,
Atendendo a pedidos, coloquei na área de textos do site dois contos que foram publicados.
Rios de Prata e A maldita bolsa de Nyar.
Pronto, tá lá para quem pediu.
Para quem não pediu, aproveite para conhecer.
Kahmarahnuh era uma criança feliz. Mora na África, mais especificamente em Níger.
Como presente de aniversário, ganhou uma pistola do pai. Sua mãe lhe deu um facão enferrujado, lembrança do avô que faleceu alguns anos antes.
Mas o melhor presente foi o do irmão.
Ele trouxe um integrante da tribo vizinha, encapuzado e com os braços amarrados às costas.
A criança arrancou o capuz da sua presa; viu o pânico que brotava nos olhos dela. A expressão de Kahmarahnuh era de curiosidade. Havia visto os homens mais velhos fazerem aquilo antes, mas não sabia por que eles gostavam tanto.
Kahmarahnuh era uma criança feliz e muito sortuda, ele sabia disso. Um dia seria o líder da tribo.
Pegou a pistola e descarregou no corpo à sua frente. Levou o facão até o corpo caído e arrancou-lhe a cabeça.
Kahmarahnuh não é mais criança, agora é homem. Passou pelo rito mais importante de sua tribo. Descobriu porque os homens gostavam tanto daquilo, era o brilho do vermelho no chão. Lindo.
Kahmarahnuh agora é homem feito e ele só tem nove anos de idade.
Pessoal,
Fui selecionado para a coletânea Contos de Outono – Edição 2009, da Câmara Brasileira de Jovens Escritores.
O conto selecionado foi "Um presente, uma promessa".
Este que está publicado logo ai embaixo…
O link com a seleção está aqui.
A maçaneta velha não fez barulho daquela vez, o que por si só já era algo notável. Sim, ela era velha; mas a mão era cuidadosa e conhecia os melindros daquela peça.
A mão, aliás, também sabia do velho truque de levantar a porta para que esta não rangesse e acordasse a todos. Mão sabida, bem treinada, experiente.
Com o vento frio uivando lá fora, foi com sagacidade que a mão fechou a porta, tateou o escuro e acendeu o pequeno abajur do canto da minúscula sala. Era melhor isso do que ligar a luz principal, poderia acordar alguém.
É bem verdade que não tinha muita gente para ser acordada, apenas uma pessoa. Mas era a pessoa mais importante do mundo e, hoje, merecia dormir tanto quanto conseguisse.
Sinoval, o dono da mão bem treinada, surrupiou os passos dos gatunos e, pé ante pé, chegou na pequena cozinha.
Abriu o pequeno embrulho que trazia debaixo do braço e tirou dois pães de queijo, uma maria mole e um pão francês, ainda quente.
Cortou o pão cerimoniosamente, colocou uma fatia de queijo e o deixou em cima de um pequeno prato. Os dois pães de queijo ficaram em cima, e a maria mole abaixo do pão. A disposição no prato parecia um rosto, sorrindo.
Retirou uma rosa, adquirida à moda antiga – cortada de uma roseira da vizinhança – e deixou ao lado do prato.
Pegou um pequeno pedaço de papel, sentou-se a mesa, e tentou escrever aquilo que ele havia ensaiado durante os últimos dias.
“Meu amor,
Felis niverssario,
Deus te abenssoa pra sempre
Di noite, nois aproveita mais
Beijo,
Sinoval”
O dono da mão bem treinada pegou sua marmita, seu facão e foi para o ponto, esperar o caminhão para a lavoura de cana.
Lurdinha acordou, lavou o rosto e sorriu ao ver o bilhete do marido e a rosa deixada sobre a mesa, ainda suja no cabo e com os espinhos. Quando sentou na cozinha e ligou o rádio, ainda entretida com a visão do prato, nem prestou atenção quando ouviu a notícia do caminhão que tombou, carregando bóias frias, naquela madrugada.
E, quando a comadre Joana contou do ocorrido, Lurdinha ficou aflita e triste. A rosa permaneceu no mesmo lugar, ao lado do prato vazio. Ela olhou para a imagem da santa em cima da geladeira e fez uma promessa silenciosa.
Quando a noite chegou e a mão calejada abriu a porta, encontrou uma mulher sentada no sofá, com um terço nas mãos e os olhos inchados.
- Mas, oxi, você não tinha que ta pronta, pra nóis saí?
A mulher se levantou correndo e abraçou o marido.
- Hoje não. Além do mais, eu cozinhei um músculo com mandioca e a sua cerveja já ta até gelada.
- Mas o aniversário é seu, cê não pode ficar fazendo as coisa não.
- Eu sei, mas hoje Nossa Senhora do Perpétuo Socorro me deu um baita presente e nóis vamo é fica aqui. Foi o melhor presente de aniversário que eu podia ganhar.
Lurdinha sorriu e olhou para a imagem da santa.
O melhor presente de aniversário de uma vida.
E era só dela.
Pessoal,
"Comi bola", confesso.
Acabei de saber, com quase um mês de atraso, que um micro conto meu foi publicado na renomada zine TerrorZine.
Mais especificamente a TerrorZine Nº 7.
A Zine é iniciativa da Cranik, através do seu idealizador, o escritor Ademir Pascale.
É uma inciativa bacana, pois é um produto de qualidade para os amantes do Terror.
São vários mini-contos, rápidos de ler e muito interessantes!
Para fazer o download da TerroZine Nº 7, clique aqui. (é necessário um leitor de arquivos PDF)
Para conhecer as outras edições da TerrorZine, clique aqui.
Abraços!