December 14, 2009 por Willian
Sabe, é difícil falar de uma coisa que a gente não gosta. É complicado falar de algo pelo qual você não se interessa ou, por qualquer motivo que seja, não quer se envolver. É ainda mais difícil falar e não ser injusto ou incoerente.
Acontece que falar do oposto também é difícil. Falar de algo que você gosta muito, respeita, pelo qual tem certa reverência é tão complicado quanto falar daquilo que não te nutre nenhum sentimento. A diferença reside na expectativa.
Quando você gosta, e se envolve, as expectativas são altas. Você não quer fazer porcaria, um serviço mais ou menos. É com esse pensamento (e essa preocupação) que começo esse desabafo, pois vou falar de duas coisas que gosto muito. Ler e escrever.
Acabei de ler a saga de Lúcifer, do selo Vertigo da DC Comics, e estou a um só tempo pasmo e incrédulo quanto ao resultado.
Entrando um pouco no assunto, a saga conta a história de Lúcifer Morningstar, filho de Yahweh, e o seu envolvimento no fim do mundo que se aproxima. Não pretendo contar a história aqui, quem estiver interessado é só usar o Google.
Mas uso a série que li e, assim, entro na minha primeira paixão (usando essa saga como contexto): A Leitura.
Arte ainda pouco estruturada no nosso belo e incoerente país, a leitura é instrumento samaritano, usado parca e espaçadamente; apenas uma ferramenta na nossa lide. Dificilmente as pessoas encaram a leitura como objeto de desejo e produtor de prazer. Mas como diriam arautos espalhados por todos os lugares: “ler é sexy”. Mas por qual motivo?
Note que não se referem ao sexy relacionado ao carnal, mas a obliteração da mente. A falta da leitura leva à permanência no desconhecimento. Uma opção, claro. Ainda assim uma opção dolorosa de se viver. Mais dolorosa ainda de se partilhar.
Mas vejo que perdi o rumo. Vamos voltar à leitura e deixar as conjecturas de lado.
A leitura te abre um universo novo a cada página e aqui entro na saga que acabei de concluir. O que dizer de uma obra bem escrita, instigante, interessante e, sobretudo, não-previsível? Genial? Sim, mas o que mais?
Essa é a parte que reconheço estar pasmo. E inquieto.
Não sou um leitor fácil, como muitos que conheço. Acabo julgando enredo, personagens, situações, tudo isso antes de concluir o livro. Sem mea culpa aqui. Não me ensinaram a fazer esse julgamento, ele meio que se desenvolveu sozinho.
Furtar esse “mecanismo de análise” é algo incomum na maioria de minhas leituras. Não quero ser frugal e dizer que “por se tratar de uma graphic novel eu não criei expectativas”. Não foi o caso.
A história toda foi baseada em um dos melhores personagens coadjuvantes da saga de Sandman, de Neil Gaiman. Eu esperava uma boa história. Sendo bem sincero, eu desejava uma boa história, para dizer o mínimo.
Ainda assim, fiquei pensando no Storyboard de uma obra dessa magnitude. A história tem tantas reviravoltas, tantas linhas paralelas, tantas complexidades que você não faz idéia de como algo dessa grandeza é criado.
Não é um universo sem fim, é a luta que a maioria de nós – filhos da cultura judaico/cristã no ocidente – aprendeu desde que nasceu. É a luta do mais famoso dos anjos caídos contra a realidade, contra o status quo.
Acreditem, só esse parágrafo acima já daria muito pano pra manga. E a história segue, linear, alternada, criando universos, destruindo situações e criando outras em seu lugar.
O prazer que se tem de uma leitura assim beira a paz de espírito que tanta gente urge em perseguir com gritos e lágrimas falsas em templos de tijolos e argamassa… Mas… Voltei às conjecturas, não foi? Certo… Voltando ao assunto então…
Não falo que esse efeito é próprio dessa saga, isso poderia ter acontecido com qualquer leitura complexa, bem escrita, bem definida e, acima de tudo, interessante. O ponto que desejo defender é que esse prazer, mesmo não sendo um prazer para poucos, é de poucos.
Não só pelo fato da maioria dos leitores serem, tecnicamente, analfabetos funcionais; mas também pelo motivo da grande maioria dos leitores não conseguir abstrair a realidade, não conseguir se envolver na história e deixar-se levar pela carruagem da imaginação.
Quase um sacrilégio.
Lendo, aprendemos não somente com nosso cérebro, mas com nosso espírito. Percebemos um pouco do mundo que o autor criou e, dessa forma, compartilhamos um pouco da energia que ele dispensou na criação. Sentimos sua alegria, compartilhamos sua dor, vivemos a vida que ele criou e aprendemos a respeitar o espaço e o tempo que se tornou material fotográfico e que ele usou como cenário.
Ler, sem envolvimento, é como tentar ouvir música sem prestar atenção nenhuma e, ainda assim, querer compreender algum sentido. Tarefa difícil até mesmo de simular. Pretensão pura e simples.
Dessa forma, vejo que ler é atividade complexa, mas que deveria ser mais comum. Infelizmente, não é essa a realidade. E, de certa forma, isso me entristece bastante.
Ainda assim, é necessário dar mais um passo. Preciso falar do segundo ponto, a Escrita.
Escrever é criar; como o artista que pinta em tela branca ou esculpe em bloco de rocha. O resultado? Ninguém sabe ao certo. Em um determinado momento a criação toma forma e, a partir daí, evolui sozinha.
Criar uma caixa totalmente determinada, uma história pronta, pode até ser mais fácil, mas somente o randômico, o caótico, consegue dar vida ao que seria apenas plástico sem forma.
Quando se cria, etapas são cumpridas. Como numa jornada mística, onde o caminhar leva o viajante até o ponto onde este pretende chegar, a rodovia da criação literária tem suas paradas.
Nesses locais você conhece melhor suas personagens, os conflitos que as mantêm, seus desejos, medos. Você se torna o deus de um mundo. O seu mundo.
E qual a maldade de um criador que não conhece ou respeita suas criaturas? Quão cruel é isso?
Quando se escreve, a história vai se formando, se organizando, se dividindo e, por fim, se aglutinando naquilo que é o produto final. Seu texto.
Separar este texto em etapas é tão importante quanto se preparar para uma longa viagem. Ninguém além de um tolo sairá em uma viagem sem conhecer seu destino ou que provisões deverá levar.
Até quando se anda sem direção você tem um destino: nenhum lugar em específico, até as pernas cansarem, até o dinheiro acabar, até aprender alguma coisa, etc. Com a escrita não é diferente. Você precisa saber até onde chegar. Cumprir etapas. Finalizar.
Pois toda jornada tem fim. A sua escrita também.
Para isso você precisa de ferramentas, de capítulos, fichas de personagens, pesquisa, informação, música e tudo mais que lhe for necessário.
Mas quando tudo que precisa está na sua mão, não tem mais jeito. Você precisa escrever. Escrever muito, escrever com o coração, com coerência dentro do possível, mas sempre fiel ao seu propósito. Sempre fiel ao seu mundo.
A sua história pode nunca sair da gaveta (ou do arquivo do Word), mas ela precisa ter um fim, não acha?
Por essas e outras, escrever é arte. Mesmo os livros técnicos, os livros feitos “para vender” precisam do esforço de quem os escreve. Não pense que o livro se faz sozinho, isso simplesmente não é verdade.
Agora, unindo os dois lados da corda e finalizando o laço, é preciso ler muito para conseguir escrever com coerência.
Somente com o esforço contínuo, com doação do seu eu, com revisões sem fim, você vai evoluindo, tanto como leitor quanto como escritor.
“Nós, leitores, precisamos de nossos heróis”, me disse uma amiga. Eu concordo e acrescento: nós, escritores, precisamos de nossas histórias. Precisamos de nosso mundo, de nossos assassinos, de nossos vilões, heróis, magos de vidro, cavalos de papel e rajadas de metralhadoras. Precisamos da criação e do momento de criar. E, se possível, precisamos que o leitor precise dos heróis que criamos.
Pois não existe escritor que não queira ser lido, assim como não existe leitor que não goste de um ou outro escritor.
O que nos une é o sonho, o onírico. Escrito por uns, aproveitado por outros.
Sempre juntos, mesmo que em lados opostos da mesma moeda.
December 3, 2009 por Willian

TODOS CONTRA O CRACK!
por Jana Lauxen.
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Estes dias, fui a uma palestra sensacional sobre CRACK ministrada por Mauro Souza, vice-presidente da Associação do Ministério Público de Porto Alegre.
Logo de cara, Mauro perguntou para uma platéia de cerca de 100 pessoas:
- Quem aqui tem alguma coisa a ver com o CRACK?
Eu levantei a mão.
E só eu levantei a mão.
Ninguém mais.
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Antes ainda de moleques roubarem meu notebuque, dentro do meu quarto, em plena luz do dia e com gente em casa, trocando-o pela bagatela de 30 pilas de pedra no traficante da rua de baixo, já tinha me apercebido que eu, apesar de não fumar, tinha muito a ver com o CRACK.
Começou quando eu não podia mais voltar sozinha para casa quando saía de noite – coisa que sempre fiz desde que me conheço por gente.
Logo passei a reparar que ir na padaria, ao entardecer do dia, começava a ficar perigoso também.
De repente 80% das pessoas que eu conhecia já haviam sido assaltadas ou tinham sofrido alguma forma de violência na rua.
Em seguida as casas começaram a proteger-se com cercas elétricas e cachorros ferozes, e o número de moradores de rua de cor acinzentada quadruplicou-se.
Pessoas começaram a ser amarradas em camas e pés de mesas; os pais passaram a trancafiar seus filhos em jaulas.
- Peraê, tem alguma coisa muito errada acontecendo.
Foi o que pensei.
E era o danado do CRACK, minha gente.
Uma droga que apareceu como quem não queria nada, e parecia só mais uma droga, entre tantas, e de repente virou nossas vidas de cabeça pra baixo e levou nosso sossego pra muito longe daqui.
Nem vou ficar aqui falando sobre as mazelas do CRACK, porque é impossível que você ainda não tenha visto na tevê, nas ruas, quiçá dentro da sua própria casa.
E nós não podemos ficar de braços cruzados vendo a canoa – na qual estamos dentro – afundar.
Porém, o que eu e você podemos fazer?
- Ora, um grande problema merece uma grande solução, e nós somos apenas cidadãos impotentes refugiados dentro de nossas próprias vidas.
Correto?
Errado.
Sabemos que o crack requer soluções drásticas, que envolvem investimento pesado em educação – para prevenir – e em saúde – para remediar.
No entanto, não é por isso que não podemos fazer absolutamente nada.
Lembrem-se que, se as formigas soubessem o tamanho de sua força, já teriam dominado o mundo.
Sozinhos, polícia e governo nada podem fazer.
O CRACK subverteu tudo que, até então, todo mundo conhecia a respeito de drogas, drogados e tratamentos.
E é preciso que haja a aderência de TODOS os segmentos da comunidade, inclusive aquele onde eu e você estamos confortavelmente instalados.
Nós podemos e devemos e precisamos desesperadamente falar sobre o crack.
Conversar sobre o crack.
Escrever sobre o crack.
Promover, participar e divulgar campanhas contra o crack.
Incentivar ações em prol de movimentos contra o crack.
Podemos nos juntar a um coro de vozes cada vez maior de pessoas, que lutam para levar informação e conscientização, senão àqueles que já estão viciados, pelo menos aos que ainda não estão.
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Se você pensa que coisas deste tipo não adiantam, saiba que se engana, meu amigo.
Participando, você simplesmente estará fazendo tudo o que está ao seu alcance.
Já parou para pensar nisso?
Se todos fizessem sua pequenina parte, mudaríamos o mundo, e isso não é conversa de sonhador.
É fato.
Só os acomodados que não vêem.
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E por acreditar piamente no poder que cada um de nós possui enquanto indivíduo e enquanto grupo, comunidade e nação, lanço humildemente, aqui e agora, uma campanha virtual contra o CRACK, onde buscarei a adesão de 10 mil blogues e sites e afins – um número pequeno, quando comparado ao incalculável número de blogues, sites e afins que existem por aí.
Por isso criei está página: http://www.todoscontraocrack.blogspot.com
e este selo (nota: selo mostrado no topo do post).
E por isso também convido você a copiá-lo, colocá-lo em seu blogue, em seu site, em seu Orkut, Twitter, MSN e onde mais sua imaginação permitir.
E façam mais do que isso: escrevam sobre CRACK em seus blogues e sites, coloquem o assunto em pauta, em debate, na frente do holofote.
Tudo está ao nosso favor: o Brasil ocupa a terceira posição entre os países com o maior número de blogueiros, com mais de 5 milhões de usuários*.
O número de brasileiros que lêem blogs cresce a uma taxa superior a da expansão da internet, de acordo com dados de 2008 do Ibope/Netratings.
Ano passado, mais de 11 milhões de pessoas acessaram e leram blogs.
Se 1% aderisse à campanha, tem noção do tamanho da avalanche?
E nós podemos fazer isso.
Yes, we can!
Se tivermos um blogue, temos também voz e vez, e isso é lindo e merece ser usado com inteligência, ao nosso favor, a favor da sociedade onde vivemos.
Se uma única pessoa pensar, através do teu blogue, sobre o CRACK e sobre porque não deve usá-lo, então já valeu a pena.
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Levante a mão quando perguntarem se você tem alguma coisa a ver com o CRACK.
Não exagero quando digo que podemos ajudar a salvar vidas – até mesmo as nossas.
Só precisamos aprender a lutar com as armas que temos em mãos.
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Escolha seu selo no singular ou no plural, coloque-o em seu site ou blogue e envie para o e-mail todoscontraocrack@gmail.com seu link, pra ser divulgado na página da campanha.
Maiores informações?
Entre em contato.
—//—-//—
Pois é pessoal, encontrei esse post no site do Israel Teles.
Acho a iniciativa não somente válida, como necessária.
10.000 blogs não é absolutamente NADA, precisamos nos movimentar.
A idéia tem o meu apoio. Apoie você também.
November 26, 2009 por Willian
Pessoal,
Era para esse (LONGO) texto ter saído ontem, mas o meu Office não ajudou e hoje, apesar dos incansáveis e incessantes esforços do meu teclado do Mal em me atrapalhar, criei um pouco do ânimo para expurgar esse texto da minha cabeça.
(ao som de Metallica, of course)
O que vou dizer não é novidade. Está em vários sites pela internet e é exaustivamente explicado em livros sobre escrever.
Então, vou usar as palavras de um amigo para começar. Quando falamos de produção literária e textos novos, ele sempre me diz o seguinte: “Sabe, a porcaria é que a gente sempre quer escrever um best-seller logo de cara”.
Sim, queremos. Mas para isso existe solução.
Como uma amiga (meio desaparecida) e instrutora dizia: “só escreva”. O engraçado é que eu já vi gente do nível de Stephen King e Neil Gaiman dizer a mesma coisa.
Quando pedem um conselho aos dois sobre como escrever melhor, eles sempre tem uma ou outra dica, mas quando a pergunta é sobre como se tornar um escritor, a reposta não muda: só escreva. Uma palavra após a outra.
É claro que sempre tem as tradicionais, e incansáveis, frases prontas:
- Você precisa ler muito.
- Você precisa conhecer o seu público.
- Já sabe qual o seu mercado? A sua obra tem que ser vendável. (isso se você quiser ser publicado comercialmente)
- Você tem que fazer uma boa pesquisa.
- Sua obra tem que ser atraente, etc.
Mas, lembre-se, em algum momento sua preciosidade precisará ficar pronta. Então voltamos ao conselho inicial: escreva.
Somos, a maioria de nós escritores e pretendentes a escritores, procrastinadores por natureza. A gente enrola, deliberadamente.
Reclamamos do dia, do tempo, da falta de tempo, do teclado (mea culpa), do software de escrever (mea culpa 2), da falta de inspiração, da incredulidade quanto ao nosso trabalho, da quantidade de pesquisa que precisamos fazer e de mais um milhão de coisas.
A gente se acomoda, inventa desculpas, fica o dia todo fazendo um monte de coisas e não fazendo nada ao mesmo tempo. No fim, você vê que seu trabalho não andou tanto quanto queria e, algumas vezes, se pergunta o motivo.
Existem alguns corajosos que dizem “não escrevi, pois estava com preguiça/pois não queria”. A maioria de nós não tem coragem de ser tão sincero.
O que fazer então?
Usando as palavras de Neil Gaiman de novo: escreva.
Nos dias bons, você escreve. Nos dias ruins, você também escreve. Nos dias inspirados, escreva. E naqueles malditos dias em que o cursor fica pulsando na página branca, na sua frente, você precisa ter em mente que deve fazer uma coisa: escrever.
Afinal, é o que um escritor faz; escrever.
Nos dias bons, ruins, alegres, tristes, enfim, em todos os dias.
Conforme uma colega me perguntou “mas e os problemas no roteiro?”. Problemas com o roteiro aparecerão, você irá corrigi-los depois.
Outra pergunta boa foi “mas como saber se estou indo pelo caminho certo?”. Essa é mais fácil, enquanto você estiver escrevendo você está indo pelo caminho certo.
Claro, planeje, organize, pesquise, mas escreva. Não pare de escrever.
Na minha opinião, toda história tem potencial para se tornar uma boa história. Depende de quem conta e de como conta.
Nem todos os seus textos serão publicáveis, claro. Mas conta a experiência, conta o esforço. Você pode não perceber, mas cresce um pouco a cada palavra colocada no papel.
Todo mundo fala, por exemplo, da sumidade que foi Tolkien. Só que a maioria se esquece que ele também teve problemas. Quando ele escreveu “Numa toca no chão vivia um Hobbit”, a frase inicial – e provavelmente a mais famosa – de O Hobbit, ele não conseguiu terminar o livro. Isso foi em 1929 (aproximadamente). O Hobbit foi terminado somente sete anos depois (1936), a pedido de uma editora que leu uma parte do material inacabado. O Senhor dos Anéis – sua obra prima – demorou outros longos dezoito (18!!!) anos para ser publicado.
É óbvio que estamos falando de um escritor exímio, alguém que desenvolveu um mundo novo, com linguagem própria, raças e, a bem da verdade, foi a base para muito da fantasia fantástica existente hoje.
Ainda assim, fica a lição. Todo mundo tem dúvidas se está no caminho certo. O que importa é continuar.
Outra colega me disse “parece que algo se quebrou dentro de mim, não consigo escrever”.
E isso não faz parte da criação? Você doa sua energia, seu intelecto, seu esforço, o natural não é sentir que está meio “esgotado”? Sabe o que eu disse a ela? “Continue escrevendo”.
E isso, segundo ela, a ajudou.
E foi exatamente ouvindo o mesmo conselho, alguns anos atrás, que consegui terminar um texto com mais de duzentas páginas.
A história foi contada? Ah, sim. Definitivamente foi.
O material ficou bom? Tenho sérias dúvidas sobre isso. Mas a história foi contada e essa era a parte importante.
Como disse, nem tudo que escrevemos é publicável, mas quando escreve, você cresce.
E lembre-se que o seu editor interior sempre vai querer que você revise, corte, altere, melhore o seu texto.
Isso não é ruim, só que tem hora certa para acontecer.
Quando? No momento em que você colocar o último ponto final no texto, você conseguirá responder a essa pergunta.
Mas não edite enquanto cria. Misturar trabalho criativo com trabalho crítico nunca foi uma idéia bem aceita (ou bem sucedida).
Provavelmente você não vai acreditar e vai querer editar o seu texto enquanto escreve. Vá em frente, muita gente aprendeu desse jeito. Batendo a cabeça.
Mas lembre-se, mesmo com dúvidas sobre o roteiro, não sabendo se está bom ou não, achando que algo se perdeu e que não consegue criar mais, só existe uma coisa que você pode fazer: continuar escrevendo.
Faça isso por um tempo.
Se não funcionar, me escreva. Gostaria de ouvir sua experiência.
Agora, se funcionar, apenas dê um sorriso. Se você conseguiu, o mérito é todo seu.
Aproveite.
November 23, 2009 por Willian
Sabe, preciso compartilhar uma coisa…
A vida já não é mais tão simples quanto antigamente. Quanto mais penso nisso, mais penso nos fatos.
Existem fatos, sim fatos, que são simplesmente imutáveis…
Alguns dias o vento estará muito forte, seu cabelo vai bagunçar. Aceite isso.
O sol vai brilhar mais alto, e você reclamará do calor.
Quando vier a chuva, você reclamará da chuva também.
Outros dias você desejará que o dia acabe logo, ou que não acabe nunca. Mas sendo o dia bom ou ruim, ele irá acabar. Como tudo na vida.
Algumas pessoas vão te magoar, umas conscientemente, outras não. Saiba que você sairá magoado do mesmo jeito. Tente entendê-las e, se possível, perdoá-las. E lembre-se de olhar para as pessoas que você já magoou; você se surpreenderá…
Certas pessoas te farão rir de uma forma que você não acreditava que conseguiria. Você sentirá falta dessas pessoas. Aproveite a presença delas.
Você vai ler, pelo menos uma vez na vida, uma linha sobre algo que pareça auto-ajuda. Para quem está disposto, a sabedoria pode ser encontrada em vários lugares. Ao invés de reclamar, leia de novo. Isso, se você souber ler… Muita gente não sabe.
Tenha em mente que é preciso ser tolo para achar que já sabe tudo que precisa, mas somente um idiota tem coragem de afirmar isso a plenos pulmões. Uma pessoa que apoia essa coragem é tão idiota quanto quem acha que já sabe de tudo. Aprenda sempre.
Eventualmente você reclamará que se sente gorda, ou magra demais. Mas nunca reclamará daquele pedaço de bolo de chocolate ou daquela carne assada.
Sentirá falta daquele momento que só existiu na sua cabeça, mas que se tivesse sido real não teria sido tão bom.
Você, assim como todo mundo, irá chorar por alguém que ama.
Mas isso tudo não te faz melhor, nem pior, do que os outros, porque essas coisas acontecem com todas as pessoas.
Talvez você consiga enxergar a sua insignificância, talvez se ache o maioral.
De qualquer forma, um dia você irá morrer… Assim como todo mundo. Encare isso e seja mais feliz hoje.
Porque, um dia, será o seu dia que irá acabar…
Como tudo na vida.
—
Aproveite a vida, ela não dura pra sempre.
November 6, 2009 por Willian
Olá pessoal,
Já tem um tempo que não faço nenhuma avaliação de obra aqui, então queria citar Território V, organizado pelo Kizzy Ysatis.

Recebi, orgulhosamente, este exemplar de presente do grande escritor, e amigo, Israel Teles. Comentar o conto do meu amigo Israel não seria justo, mesmo porque eu conheci o conto em sua concepção e entendi o quão capcioso ele era, o quão profundo poderia chegar. Um conto singular e muito bom, e por mais que soe como propaganda, é a mais pura verdade; basta ler. Potencial grandioso.
Mas não é isso que pretendo comentar, tampouco falarei sobre a obra toda, apenas sobre um conto especificamente, me acompanhe…
Não gostei de todos os contos e, imagino, talvez existissem outros contos melhores para serem selecionados para a coletânea.
Entretanto, não desmereço a seleção de forma alguma; Entendo que a escolha feita pelo organizador deve ter sido bem difícil, além de trabalhosa.
Ainda assim, preciso ressaltar que, em sua grande maioria, os contos eram muito bons. Muito bem escolhidos, sem dúvida. Parabéns, mais uma vez, ao Kizzy pela coragem e pelo trabalho.
Desses muito bons, preciso destacar um.
O conto de Raphael Draccon.
Reli o conto umas quatro vezes, para ter certeza da forma que o conto havia me levado ao onírico. Minha opinião será sincera, então peguem os cajados, as pedras e vamos caçar um monstro…
Eu já havia feito a crítica de Dragões de Éter aqui, caso alguém se lembre.
Raphael Draccon é um autor interessante e, talvez por ser também roteirista, consegue enxergar as coisas de uma forma diferenciada. Qualidade rara.
É improvável que outro autor tivesse a pretensão ou audácia dele ao escrever um conto dessa forma.
Sim, ele foi pretensioso, MUITO pretensioso.
Mas não foi a pretensão tola, rebuscada, aquela que os ignorantes usam para esconder sua falta de aptidão para realizar uma tarefa. Não.
A pretensão dele foi aquela contida no sentido mais estrito que encontramos no dicionário; cito o Houaiss – “pretensão: desejo ambicioso e descabido; ambição” .
Ele foi ambicioso, descabidamente honesto em sua escrita e produziu um texto claro, direto e que não deixa dúvidas. Um conto fabuloso.
Uma história de amor, luta, traição, morte, arrependimento, desejo, repulsa, ódio e comprometimento, tudo em menos de 10 páginas. E o melhor, só através de diálogos.
Claro, sempre há os que dirão: “mas eu já imaginava o final na metade do conto” ou “foi previsível, não foi tão bom”. Preciso discordar. Não era o final que importava. Era o caminho todo.
Como na dança, os passos são apenas a parte técnica que te permite aproveitar a experiência em outro nível. Se você já sabia o final, estava tentando se antecipar ao autor, o que não é ruim, mas também não te permite aproveitar o texto completamente. É como comer um chocolate recheado, tentando chegar logo ao recheio. Não se aproveita totalmente o sabor do chocolate.
O conto foi tão previsível quanto o são as histórias de amor; não vejo problema nisso. Romeu e Julieta não deixou de ser o que é por ser “apenas” outra história de amor. Tristão e Isolda também não. Pense comigo…
O importante das histórias de amor não é como terminam os amantes ou "o que acontece no final", mas como se entregam, como conseguem deixar dilacerar seus corações em sofrimentos desconhecidos em busca do sentimento que será sua panacéia.
Raphael Draccon foi fantástico.
Apenas em diálogos ele mostrou a angustia, o desespero, a crença, a ausência de crença e, por fim, a redenção através do amor. O amor que liberta, que libera, que se desapega. O mesmo amor de Romeu. Para os mais recentes, o mesmo amor de Bella e Edward.
O que importa, principalmente em textos curtos, é como o autor te tira para dançar, como ele te conduz na valsa das palavras e, neste sentido, Raphael Draccon foi audaz, competente e sagaz.
Pretensioso desde o início, mas absoluta e inegavelmente bem sucedido.
Parabéns autor, outro conto fantástico.