Feb 14 2008

Miss Sarajevo

Escrito por Willian em Amenidades

 

Dici che il fiume
Trova la via al mare
E come il fiume
Giungerai a me
Oltre i confini
E le terre assetate
Dici che come fiume
Come fiume…
L’amore giungerà
L’amore…
E non so più pregare
E nell’amore non so più sperare
E quell’amore non so più aspettare

U2

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Jan 29 2008

Ai se Sesse

Escrito por Willian em Amenidades, Pergaminhos

 

Uma homenagem justa a uma das poesias mais interessantes que eu já vi.

Que Zé da Luz brilhe, onde estiver.

Ai Se Sesse
(Zé da Luz)


Se um dia nois se gostasse

Se um dia nois se queresse

Se nois dois se empareasse

Se juntim nois dois vivesse

Se juntim nois dois morasse

Se juntim nois dois drumisse

Se juntim nois dois morresse

Se pro céu nois assubisse

Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse

a porta do céu e fosse te dizer qualquer tolice

E se eu me arriminasse

E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse

E a minha faca puxasse

E o bucho do céu furasse

Da vês que nois dois ficasse

Da vês que nois dois caisse

E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse

 

E um agradecimento ao Cordel do Fogo Encantado, por perpetuar essa peça rara.

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Jan 15 2008

Blogar, Arte, Sexo e BBB 8

Escrito por Willian em Amenidades, Pergaminhos

Sabe, esse negócio de Blogar (verbo novo) é lá uma coisa interessante.

Você descobre algumas coisas sobre as pessoas. Uma delas é que sempre tem gente pra dar opinião no que você escreve. Olhando isso pelo lado egoísta da existência, é um pé no saco, afinal, você acaba lendo o que quer e o que não quer. Tem olhos, tem que ler, né não?

Mas olhando pelo lado da escrita em si, não é exatamente esse o objetivo do Blog?

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Jan 01 2008

A menina que roubava livros

Escrito por Willian em Pergaminhos

 

Permita-me apresentar-lhe uma pessoa muito especial, seu nome é Liesel Meminger. Ela é uma ladra. Ainda assim, é uma pessoa afortunada. Sofreu como ninguém, como eu e você sofremos. Entre 1939 e 1943 ela encontrou com a Morte três vezes. Saiu viva de todas.

Contou sua história e, quem diria, a Morte recontou para nós.

Assim é no livro A menina que roubava livros.

A história segue um ritmo devagar, mas cativante. Daquelas que o autor parece te pegar pela mão e te levar para dentro do quadro. Nada lhe é simplesmente jogado. Tudo corre bem. O desenrolar é solto, devagar.

O fim do livro não é um mistério, é o esperado. Inclusive, a própria Morte te conta o fim antes do fim. Apesar de parecer estranho, funcionou. O fim não perdeu o interesse e, sejamos francos, não é o fim em si.

A personagem principal encanta por ser humana. Tem sentimentos que remete a quem já foi jovem, a quem já sonhou, já lutou, já teve uma espécie de obsessão.

O livro é de emocionar. Se você se envolve na leitura, as últimas páginas são aquelas que você vira mais lentamente. Mesmo querendo saber como termina.

O sabor do fim do livro é estranho. Me lembrou um pouco minha re-leitura de “O pequeno príncipe”.

O livro fala de amor, de fé, de esperança, de riso. E, como bom livro, também fala das antíteses. Fala do ódio, da descrença, do desespero e do choro.

Não me espanta que tenha sido um sucesso. Acredito que uma parte da fórmula do sucesso está nesse livro. O comprometimento do leitor.

Quando o leitor se integra ao livro, passa a ser um com os sentimentos vivenciados pela personagem, então isso acontece. É a mágica da coisa.

Neste livro, especificamente, você se encanta com as peripécias e com os erros dos jovens adolescentes. Sofre com a Sacudidora de Palavras, espera pelo Vigiador, e ri bastante com as Saumensch e Saukerl indo e vindo. A roubadora cativa. Quem lê entende.

Mais uma recomendação. Terminei ano passado, mas vale como leitura de começo de ano.

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Dec 31 2007

Retrospectiva 2007

Escrito por Willian em Amenidades

O ano começou como outro qualquer.

Perspectivas, desejos, sonhos. O blá, blá, blá normal. O esperado.

Estava empregado, não era bom. Também não era ruim.

Era um emprego como outro qualquer, um cara trabalhando e sendo pago. Resolvendo problemas e reclamando. Naturalmente humano. Normalidade absoluta.

As coisas passam. As situações vão seguindo o curso natural da vida.

Comprei, vendi. Tentei vender, venderei. Comprarei? Já comprei! Meu reflexo é a minha sombra. O desespero é apenas superficial. O comodismo é o que acrescenta.

No decorrer da via crucis anual eu perdi amigos. Perdi colegas. Ganhei outros colegas. Talvez tenha até ganhado amigos, quem sabe, não é?

Mas se eu perdi, então não eram amigos, eram? Eu não sei. - “Amigos de verdade são poucos…” - E para mim é impressionante o tanto de coisas que eu me vejo sem saber. Algumas vezes me pergunto se eu sei alguma coisa. Quisera eu que fosse humildade, é só dúvida mesmo. Sei que alguns amigos permaneceram. Sou grato por isso.

E as pessoas que se aproximam para aproveitar a situação? Aquelas que te procuram quando precisam e não se lembram de você até precisarem novamente? Esse ano teve demais! Sou mais um no número crescente de pessoas que passam por essa situação. Todos querem alguma coisa.

Essencialmente, eu creio, o Ser Humano é egoísta. Não seria o caso de deixar isso de lado então? De ignorar um pouco a forma tosca e enfadonha como as pessoas tentam tirar proveito e acreditar na miragem (criada por nós mesmos) de que algumas pessoas ainda são legais? Mas o que é a amizade senão auxiliar os outros quando podemos, e ter o payback se necessário? Se é assim, não passa de comércio. Tem que ser mais do que isso.

“Para o monte, onde muito é tirado e nada é acrescentado, futuro não existirá.” – Eu fazendo provérbios novamente. Ou reinventando. Reinventar é fascinante.

Acabei mudando de emprego. Algo diferente, meio igual, mas diferente. Algo almejado, mas não esperado. Uma benção sem dúvida, mas qual o tamanho dela? Tem uma história que fala de benção e maldição. É grande e não convêm contá-la agora. Mas foi uma benção, isso que importa.

Vi a mesma história várias vezes. Reinventada. Todas iguais e diferentes ao mesmo tempo. Eu até escrevi algumas. Isso foi bom. Escrever. Um exercício que deveria ter começado muito tempo atrás. Até a língua portuguesa mudou esse ano, uau! Muita coisa mudou. Sempre muda, não é?

Tive a honra de conhecer várias personas esse ano. Algumas, à primeira vista, pareciam conhecidas – aprendi mais sobre elas. Descobri que não as conhecia tanto assim. Dante, Harry, Sandman, uma bruxa que era mais sábia do que percebia, Alanna the Lioness e mais outras formas de mito - entre elas, uma menina adorável. Conheci na leitura, claro.

Percebia a alma mudando, sendo burilada, estudada, criada. Fascinante, se é que ouso classificar o processo todo de alguma forma.

Conheci pessoas que tinham os mesmos interesses, enquanto outras tinham interesses absolutamente diferentes. Por incrível que pareça, foi tão divertido ver que alguns, nem interesses tinham. Viviam pelo amanhã, lembrando do ontem. Esqueciam completamente do hoje. Do agora. Sonhando. Aliás, sonhando não. Fantasiando.

Fantasiei também. Várias vezes. Tive meus sonhos de menino grande, sorri enquanto minhas lágrimas escorriam. Minha carne jorrou sangue, enquanto fechei os olhos. Mas estava vendo o mundo de forma diferente, isso foi algo que nunca pensei seriamente que fosse acontecer.

Vi que alguns hobbies são divertidos, mas demoram. Outros são muito legais, mas são caros. Aprendi algumas coisas que achei interessantíssimas. Aprendendo sempre. Isso não é fenomenal?

Ah! Mas também houve uma boa dose daqueles momentos desagradáveis. Ah, se houve! Senti dores que não sabia existirem. Vi cores escuras em locais onde o sol deveria brilhar. Pensando bem, não vi cor nenhuma. Era como quando os olhos se fecham e não se abrem mais. Esperei, em vão, pela brisa da manhã. Uma espera demorada. Choveu, quase nevou. Fez frio dentro de mim, quando lá fora era o calor que consumia a humanidade. Esperei demais de quem não tinha nada a oferecer. Não ofereci nada a quem esperou demais de mim. Não foi assim com você também?

Foi um ano alegremente triste. Ou entristecedoramente alegre. Sei lá. Sei que passou e o outro já está batendo na porta da frente.

Um ano com muitas vitórias e muitas derrotas. Um ano como outro qualquer, alguém arriscaria dizer. Não se engane, nenhum ano é igual.

O ano acaba. Sempre me faço a mesma pergunta.

Meio cheio ou meio vazio? No começo do ano era meio vazio. Agora, no fim, meio cheio. Parece que não mudou nada. Mas a diferença é estonteante.

E a você que me acompanhou, e conseguiu chegar até aqui, um Feliz 2008!

 

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