
Nestes últimos dias, escrevi sobre muita coisa.
Citei os mesmos exemplos várias vezes.
Algumas pessoas me perguntaram se tenho algo contra Bruna Surfistinha. Não tenho. Acredito que foi uma oportunidade que surgiu e que, em minha opinião, foi muito bem aproveitada.
A vida é assim, te dá algumas chances. Você tem que aproveitar ou vai ficar chorando as pitangas depois.
Mas hoje, acho importante deixar clara uma posição que tenho.
Sou a favor da leitura. É isso. Ponto. Just like that. Tutto Finito.
Sei que é algo simples de digerir, mas vou me alongar um pouco.
Leitura de quê? Literatura.
E o que é literatura?
Do Houaiss: conjunto das obras científicas, filosóficas etc., sobre um determinado assunto, matéria ou questão; bibliografia
Ou seja, TUDO é literatura. Tudo é passível de ser lido. Desde a bula de remédio até aquela revista de fofoca.
Claro que existem gostos diferentes, logo, literaturas diferentes para atender a esses “gostos”. Legal, leia o que você gosta. Nada mais justo.
Tem gente que recrimina o Paulo Coelho. Dizem que ele é escapista, cheio de marchant, só escreve auto-ajuda, comprou a cadeira na ABL, fez pacto com o Cão, vende balinhas num “farol” de Copacabana e na madrugada carioca é conhecido como Paulete Boca-de-Fogo. Putz! Oh povo invejoso, caraca!
Deixa o cara! Ele é sucesso absoluto no Brasil e no Exterior. Vende pacas como autor.
A vida dele é a vida DELE.
Não gosta? Não leia! Expresse sua opinião! Xingue! Faça lobby contra (eu sei que você já faz!), mas SE a pessoa quiser ler, bah, aquiete-se! Deixe estar! Lembra do “cada um, cada um”? Não se pode ganhar todas, acostume-se…
Você ia gostar que lhe recriminassem por ler Nietzsche e lhe “evangelizassem” para ler Witch? E se for o contrário? Você lá, lendo sua Marie Claire/Quatro Rodas e vem um infeliz dizendo que você tem que ler Aristóteles, o que você acha?
Tá vendo? É chato pra caramba quando vem um João-sem-noção e começa a te encher o saco. Daí que o cara tá certo em querer te passar uma coisa que ele gostou, mas chega uma hora que cansa, né?
Nessa hora, com a delicadeza de um tecido de seda, ou com a sutileza de um rinoceronte, é hora de dizer pra pessoa que “já deu”. Chega de encher a paciência.
Agora, e se você for o João-sem-noção? E se você for o chato que nunca fica quieto?
Pense nisso.
Como diz um colega meu, em um país como o Brasil, só de estar lendo já é muita coisa. Quando a leitura for um hábito mais comum, aí muda-se o foco da discussão.
Um muro se constrói pela base.