Oct 29 2007

Ser publicado

Escrito por Willian em Pergaminhos

Acabei de ler o livro “Qualidade de vida” do Wanderley Ribeiro Pires, que se auto-intitula doutor. Não sei se ele fez doutorado mesmo ou se é por causa da faculdade de medicina que cursou. Sei que é professor universitário e consultor organizacional (sic!). Sei disso porque o livro explica. Não tem muita informação na internet.

Mas esse não é o ponto; o ponto é que o livro que li é de 2001 e, à época, estava em sua quarta edição, com mais de 45.000 (quarenta cinco mil, isso mesmo) exemplares vendidos. Muita coisa, se parar para analisar que seis anos atrás o mercado de livros era ainda mais retraído do que é hoje.

Meu questionamento todo se resume ao seguinte: O que é necessário para ser publicado no Brasil?

Muitas perguntas podem vir depois, na mesma onda da primeira:

  • Quem temos que conhecer para publicar um livro?
  • É preciso ser famoso? Bem sucedido em seu campo de atuação?
  • Temos que ter “clientela” para isso?
  • Existem estudos que indicam se o livro é bom, ou é a vontade de um editor super-poderoso que define tudo?
  • Quão bom um livro tem que ser para que venda bem?

Entendo que não é a história dos patinhos brancos de qualquer Mané que deve ser publicada. Afinal, vamos ser mercantilistas, é preciso vender. E o ganha pão das editoras? Como ficam? Realmente é importante que o produto seja bom. Aliás, bom não, é importante que venda.

Mas as perguntas também são importantes, afinal, são muitas as dúvidas que surgem.

Mas por quê?

Porque, apenas a título de exemplificação, o livro que li é horrível. Não somente em sua temática; mas é mal-escrito, mal elaborado, com uns desenhos no interior que não estimulam nada e – para piorar – ele tenta, com terrível insucesso, mesclar a parte da medicina que precisa se preocupar com o paciente, com a visão mística holística oriental. Ainda assim, foi publicado e vendeu mais de 45 mil exemplares (até 2001).

Mas poxa! O cara é doutor! Vai ver é isso…

E o fenômeno Bruna Surfistinha? Alguém se lembra do “Doce veneno do escorpião”? O que aconteceu? Uma garota de programa, que saiu de uma família de classe média, resolveu montar um blog (não como este que você está lendo, um blog tipo “diário” mesmo – endereço aqui) e, a partir daí, um jornalista resolveu contar a história da moça.

Resultado: mais de 250.000 cópias vendidas. Sucesso absoluto, coisa para até Paulo Coelho ficar de queixo caído.

Mas e ai? O mérito foi dela, em suas noites [e dias] de sexo com seus clientes ou do jornalista que conhecia quem precisava conhecer [e possuía uma editora]?

Não discuto o teor da obra de Raquel Pacheco, tem gente que gosta. Entendo a máxima do mercado: se há demanda, há de existir oferta. O caso dela foi excepcional, uma sacada muito inteligente do cara que a publicou.

Não só inteligente, mas com um timing muito bem feito; já lançaram outros livros, quadrinhos e agora está em casting para o filme (com R$ 4 milhões liberados pelo governo). Isso é marketing bem aproveitado.

Diariamente vemos mais e mais notícias de pessoas que conseguem publicar seus livros, não importando a qualidade. Isso é positivo, mas e os bons livros? O que define um livro como bom? Uns conseguem simplesmente achar o momento, enviar os originais e Cabum!!! Será publicado! Outros correm para o lado que conseguem.

Volto às perguntas anteriores. Aliás, volto à pergunta mais importante:

O que é necessário para ser publicado no Brasil?

Sem respostas ainda

Oct 16 2007

Nomes, mitos e afins

Escrito por Willian em Pergaminhos

 

Algumas vezes, enquanto escrevemos, bate um branco horroroso.

Pode ser na criação de um nome, de um local, de um personagem secundário ou mesmo para lembrar alguma coisa do mito/religião que estamos utilizando.

Nesses momentos, uma ajuda é sempre bem vinda.

Deixo aqui alguns sites que me são úteis, eles podem te ajudar também.

 
  • 20.000 Names: É isso, mais de 20.000 nomes, de todos os locais do mundo. Aqui você não fica sem o nome que precisa, basta procurar!

 

  • Encyclopddia Mythica: Tem muita informação sobre os mitos das mais diversas origens. Aqui você encontra desde dados sobre os aborigenes até as lendas arthurianas. Um bom lugar para fundamentos.

 

  • World Building: Este site possui as questões para garantir que o seu mundo de fantasia é verossímel. Realmente algo importante para quem quer ser o próximo Tolkien. Com as respostas das perguntas, você vai identificando onde tem que alterar. Um ajuda indispensável.

 

  • Virtual Religion Index: Este não é o site em si, é um indexador. Através dele, você encontra links para as mais diversas religiões. Novamente, para fundamentação. Por se tratar de um índice, nem todos os links podem estar atualizados. Ainda assim, vale conferir.

 

  • Feaths Bookcase: Esse é bem conhecido, ele dá idéias gerais, na maioria das vezes inutéis, para escrever, mas são divertidas e ajudam a espairecer. Vai que surge alguma coisa interessante também, não é?

 

Acho que é isso, com esses links alguns dos problemas menores podem deixar de te atazanar e você terá mais tempo para se concentrar em sua trama!

Uma resposta até agora

Oct 01 2007

Como começo a escrever?

Escrito por Willian em Pergaminhos

 

Uma das dúvidas que mais vejo é a pergunta “Como começo a escrever?”.

Não que a dúvida em si seja ruim; na realidade, não é. Através da dúvida e do questionamento as resoluções são formadas. O pensamento crítico precisa da dúvida. Dessa forma, é positivo que se pense sobre o que escrever antes de começar a empreitada.

Quanto à resposta, ela deveria ser conclusiva. Escreve-se sobre o que se pretende escrever. O problema é desejar escrever sobre o que não se tem conhecimento. Aí complica.

Veja só, se você nunca foi à Grécia e quer escrever sobre o local será complicado e, possivelmente, inverossímil.

Mas não sofra ainda.

Este problema pode ser contornado através da pesquisa. Em tempos de internet, não existem mais barreiras.

Você pode encontrar as descrições do Mojave ou do Coliseu com facilidade e em detalhes impressionantes, inclusive com mapas. É claro que, se for necessário chegar aos mínimos detalhes, não terá o mesmo feeling de escrita de quem esteve no local.

Mas o que significa isso?

Significa que a pesquisa é necessária; se antes, quando as distâncias eram impeditivas, a pesquisa era importante, agora ela é obrigatória, essencial. Não existe desculpa para uma pesquisa mal feita.

Isso tudo serve de fundamento para que se possa escrever sobre o que se quer. Afinal, não dá pra escrever sobre o que não se conhece.

Dito isso, a escrita é uma atividade que requer prática.

Quem quer escrever tem que levar em consideração que precisará escrever muito antes que os textos produzidos tenham uma boa qualidade. O emprego das palavras, acentos, tempos verbais e tudo mais que nós pensamos que nunca mais usaríamos depois de sair do colégio, são os itens mais importantes para quem escreve. É sua caixa de ferramentas.

Mas como vamos agregar mais ferramentas à nossa caixa? Isso mesmo, acertou quem disse ESCREVENDO. Também acertou quem disse LENDO.

Na realidade, o ler é companheiro do escrever.

Quem quer escrever bem, precisa ler bastante. Ler de tudo! Bulas de remédio, textos de marketing, literatura nacional, literatura estrangeira… A lista é sem fim!

Olhando dessa forma, parece um trabalho Hercúleo, e é!

Por isso existem tão poucos escritores de qualidade. Este é o motivo pelo qual vários autores NÃO são publicados. Devido à sua falta de leitura, seu vocabulário e sua escrita são sem graça, sem sal. Como diria a Thalita Rebouças, sem molho.

Não basta ser criativo para produzir um texto interessante, é preciso usar as palavras de forma que elas moldem o texto naquilo que a idéia concebeu. Um trabalho de artesão. Um artífice das palavras.

Calma! Não se desespere! Escrever é divertido!

Escrever, apesar de ser a arte de cortar palavras ou textos inteiros, é um exercício constante da imaginação. Quando se escreve, expressa-se idéias, ideais, sonhos, desejos, pensamentos e mais uma infinidade de coisas. Não importa se você está escrevendo sobre política, gastronomia ou mesmo sobre tietagem gratuita; você está se expressando. Esse é o ponto todo em escrever. Passar uma idéia.

É interessante, todavia, que seja estabelecido um critério para publicação. Nem tudo que você escrever será uma obra prima, digno de um Pulitzer ou mesmo publicável. Na realidade, boa parte deve ser descartada.

Um conselho: seja criterioso, mas guarde tudo que escreve. Pode não servir para nada agora, mas pode ser uma idéia no futuro; algo a ser melhorado; ou mesmo algo para você se divertir.

Para escrever, basta ter a vontade de começar. Que tal começar agora?

Uma resposta até agora